Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 15/10/2019

A automedicação configura-se na utilização de fármacos de forma autônoma ou por indicação de indivíduos não habilitados. Cada vez mais, a autoavaliação de sintomas torna-se mais comum e acarreta graves consequências para os indivíduos, podendo levar ao óbito, conforme adverte a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). Nesse contexto, o uso inadequado de medicamentos desencadeia impactos severos à saúde e bem-estar do indivíduo e à perda de funcionalidade das substâncias farmacológicas, e seus riscos devem ser advertidos.

Convém ressaltar, a princípio, que a automedicação representa um risco para a saúde daquele que a exerce. Em contrapartida, essa medida cada vez mais comum encontra respaldo na sociedade hodierna. Isso porque, de acordo com o sociólogo contemporâneo Byung-Chul Han, a conjuntura moderna exige cada vez mais dos indivíduos o seu desempenho e produção, o que resulta na sua falta de tempo e exaustão. Nesse sentido, o uso de medicamentos sem prescrição surge como medida para cessar sintomas de doenças e ampliar a produtividade do homem. Todavia, o consumo inadvertido de fármacos acarreta consequências consideráveis, como o surgimento de dependência química ou até mesmo no agravamento do quadro de saúde do enfermo.

Outrossim, cabe apontar como a consumo autônomo de medicamentos pode propiciar a perda da sua eficácia. Com efeito, segundo os estudos de seleção natural, realizados pelo biólogo Charles Darwin, o meio ambiente tende a selecionar os organismos melhores adaptados a ele. Dessa forma, o consumo inadequado de medicamentos prontamente irá propiciar a proliferação de agentes patógenos resistentes ao princípio ativo. A exemplo disso, o uso indevido da penicilina, fármaco essencial no combate às infecções, promoveu o surgimento de micro-organismos resistentes ao remédio, o que, por sua vez, resultou no surgimento de superbactérias resistentes.

Diante disso, tendo em vista que a automedicação é responsável por 20 mil mortes em média no país anualmente, segundo a Abifarma, medidas devem ser tomadas para mitigar esse quadro. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, com o intuito de advertir a população acerca do uso irrestrito de medicamentos, realizar campanhas de esclarecimento junto às comunidades locais, por meio de propagandas publicitárias, a serem exibidas em horário nobre da televisão brasileira, e também mediante publicações nas redes sociais, haja vista o maior alcance desses meios. Além disso, o governo deve estudar formas de modernizar a consulta médica, por intermédio do investimento em novas tecnologias que possibilitem o acesso a um diagnóstico efetivo de maneira rápida, a fim de adequar a medicina à nova realidade moderna.