Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/10/2019

O documentário “Take Your Pills” demonstra os efeitos do uso inadvertido de medicamentos na vida de estudantes norte-americanos, os quais buscam, com essa utilização, uma forma de melhorar seu desempenho escolar. Nesse contexto, observa-se que, no Brasil, a automedicação também figura como um grave problema social, sobretudo pelo modo de vida contemporâneo, o que culmina em consequências para os indivíduos que fazem uso dessa prática. Logo, faz-se relevante o debate acerca desses aspectos e de uma possível medida para atenuar esse entrave.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar como a organização da sociedade hodierna influencia no hábito do consumo de remédios sem prescrição médica. Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a população mundial é acometida por uma forma de viver na qual o indivíduo explora a si próprio e acredita que está se realizando. Nesse sentido, com a crescente pressão social e econômica, grande parcela da população concentra suas atividades diárias para alcançar um objetivo, seja ele pessoal ou profissional, e coloca em segundo plano sua própria saúde física e mental. Dessa maneira, como forma de combater esse estado corporal, esses cidadãos optam pela utilização de medicamentos sem orientação de um profissional.

Em segunda análise, é valido salientar os efeitos do uso negligente dos fármacos. Nesse viés, assim como relatado em “Take Your Pills”, as pessoas que têm esse hábito tornam-se mais susceptíveis à dependência, posto que os medicamentos, especialmente os que são direcionados ao bem-estar mental, causam, muitas vezes, uma sensação de alívio momentâneo, o que incentiva o paciente a continuar consumindo-os e, até mesmo, aumentar a sua dosagem. Além disso, essa prática acelera o mecanismo de seleção de micro-organismos resistentes aos remédios, o que pode causar impactos no tratamento da enfermidade. Dessa forma, fica claro que esse hábito é nocivo à saúde dos indivíduos que o praticam.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para minimizar o problema da automedicação no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, crie campanhas publicitárias que expliquem as consequências do uso indiscriminado de medicamentos, como a demonstração dos efeitos de dependência e das possíveis complicações na cura das doenças, para que a sociedade possa utilizar os fármacos de acordo com as especificações médicas. Espera-se, com isso, que situações análogas às retratadas em “Take Your Pills” ocorram com menor frequência na sociedade brasileira.