Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/10/2019
Na série televisiva “Dr. House”, o protagonista faz o uso indiscriminado de medicamentos, ilustrando que nem mesmo os médicos estão ilesos dos riscos da automedicação. Fora das telas, a sociedade brasileira enfrenta, também, a mesma problemática, seja pela dificuldade no acesso à saúde, seja pela facilidade em obter medicamentos. Nesse sentido, é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar o problema.
Primeiramente, é válido destacar que grande parte da população brasileira depende apenas do Sistema Único de Saúde (SUS) para conseguir consultas com especialistas na área médica. Segundo o Ministério da Saúde (MS), estrondosos 70% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS. Partindo dessa premissa, as pessoas irão comprar medicamentos sem orientação profissional por conta do sistema de atendimento burocrático e demorado que o Estado oferece aos cidadãos. Tal problemática representa um grave retrocesso.
Ademais, é importante frisar que as propagandas midiáticas têm facilitado o consumo indiscriminado de remédios. Consoante o professor Luiz Couto, tal ato “é um incentivo à nociva prática da automedicação”. Como consequência, as taxas de mortalidade crescem. Segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a automedicação é responsável por cerca de extraordinários 20 mil mortes por ano no Brasil. Dessa forma, fica evidente os riscos do uso indiscriminado de fármacos no país.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para mudar o quadro atual. Para conscientização da população brasileira, urge que o MS crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem o funcionamento do atendimento oferecido pelo SUS e advirta os internautas do perigo da automedicação, sugerindo ao interlocutor aguardar e obedecer as regras do atendimento público. Somente assim, a realidade brasileira ficará distante da realidade do protagonista da série “Dr. House” e tal problemática será amenizada.