Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 20/10/2019

Em hospitais públicos, filas quilométricas. Nas esquinas sempre uma farmácia aberta ao dispor da população.Cenários como esse contribuem para a automedicação uma vez que serve de paliativo e evita enfrentar a precariedade do sistema público, além de responder ao veio de consumo, alimentado por propagandas.

Primeiramente o Sistema Único de Saúde - SUS- não consegue dar conta do contingente de pessoas que necessitam dele. Visto que o atendimento é precário e falta estrutura, desanimam assim, a busca por atendimento.Quem é mais financeiramente frágil, acaba por procurar uma ajuda privada - sem garantias de qualidade - e recorre a um medicamento por conta própria.

Um outro fator é a própria indústria propagandística que alimenta a ideia de alívio imediato. Mostra muitas vezes, desnecessária a busca por uma investigação mais profunda dos sintomas. Em uma propaganda, por exemplo, de um medicamento contra coceiras vaginais uma mulher incentiva que para qualquer incômodo se utilize o comprimido contra fungos e bactérias. Ignora-se os diversos fatores que podem ter levado a ter coceira , como por exemplo, doenças sexualmente transmissíveis.

Afim de que se veja melhora do quadro de automedicação , necessita-se investimentos estatais em saúde pública básica e bom atendimento primário garantindo -se um primeiro contato médico-paciente de qualidade. Garante- se dessa forma uma boa triagem para que as pessoas passem a buscar ajuda especializada. Além disso, regulamentar as propagandas exigindo que elas falem claramente quais os sintomas que estão sentindo e para qual uso específico para ser feito do remédio e quais são as contraindicações sob o controle da Anvisa.