Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 29/10/2019
O avanço da indústria farmacêutica e o consequente hiper consumo de medicamentos são graves sintomas da sociedade moderna que preocupam diversos setores da medicina. Nesse contexto, os indivíduos buscam nos remédios a cura imediata sobre os males que o afligem sem o conhecimento necessário para lidar com seus efeitos colaterais. Diante disso, problemas estruturais do sistema público de saúde somado a grande dificuldade de combater um hábito culturalmente estabelecido contribuem para catalisar essa problemática
Nesse sentido, o livre acesso à informações sobre doenças e tratamentos por meio da internet, em conjunto com a dificuldade e burocracia para conseguir uma consulta médica através do SUS são fatores primordiais para o aumento da automedicação no Brasil. Assim, embora seja um fenômeno mundial, a ausência de políticas que aproximem os médicos das comunidades leva a população que não consegue uma opinião médica a se automedicar, o que ocasiona sérios riscos para a saúde pública, tais como a intoxicação, dependência química e o aumento da resistência microbiana. Assim, o importante médico brasileiro Drauzio Varella afirma que não é função do Estado proteger o cidadão do mal que causa a si mesmo, mas é seu dever defendê-lo do que possam fazer contra ele, o que aponta para a urgente necessidade de regulação e fiscalização sobre tais práticas.
Além disso, há uma grave relativização cultural sobre o uso indiscriminado de remédios e uma falta de fiscalização dos órgãos governamentais na venda de medicamentos prescritos. Com isso, é notável uma cultura de medicalização como forma de obter resultados instantâneos, o que o filósofo sul-coreano Byong Chul-Han chama de Sociedade do Cansaço a busca excessiva de desempenho que culmina em diversas patologias físicas e psicológicas. Essa realidade, contudo, pode mascarar diagnósticos na fase inicial de doenças e contribuir para o superlotamento dos hospitais.
Portanto, para mudar essa realidade, é importante que o Ministério da Saúde atue com investimentos nas áreas de telemedicina e clínicas de atendimento médico rápido, o que pode ser feito através da modernização de setores do SUS e priorização nas redes de prevenção e medicina da família, a fim de aproximar os profissionais da saúde da população e torna-los mais acessíveis. Ao mesmo tempo, é crucial que o Governo Federal juntamente com Organizações Não Governamentais promovam campanhas de conscientização nas mídias sociais, como redes socais, rádio e televisão, com o intuito de esclarecer os cidadãos acerca dos perigos da automedicação e suas danosas consequências a curto, médio e longo prazo para a saúde pública. Assim, com responsabilidade e eficiência, será possível amenizar essa grave realidade.