Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/10/2019

Dor de cabeça. Dores abdominais. Enjoo. Febre. Esses sintomas, são os que a população do século XXI lida por conta própria, através de medicações não prescritas. Nessa perspectiva, a automedicação traz em seu bojo, uma gama de consequências negativas e pouco positivas. Dessa maneira, a questão cultural induz o indivíduo a ter sempre um remédio a mão, ignorando suas possíveis reações adversas.     Em primeiro lugar, é válido ressaltar que, o uso indiscriminado e a facilidade no acesso à certos fármacos, têm tornado o controle de algumas doenças muito desafiador. Um exemplo a ser citado é o caso da sífilis, que em alguns indivíduos, o uso do antibiótico de maior espectro não estava surtindo efeito. Além do mais, nos últimos 5 anos, o número de internações por intoxicação medicamentosa foi de 60 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Todavia, a OMS admite que a automedicação se caracteriza como autocuidado, uma vez que o acesso à serviços de saúde não se dá de forma holística. Logo, deve-se entender e combater todos os caminhos que levam a esse mau costume.

Os profissionais de saúde aptos a receitarem medicamentos são: médicos e farmacêuticos. Contudo, está enraizada a cultura da medicação sempre à mão e ainda repassando a receitinha “milagrosa” no combate à diversos sintomas. Consoante a esse fato, está o fomento das indústrias farmacêuticas na divulgação de seus produtos, ditos sempre eficazes e fáceis e de adquirir, visando apenas o lucro. Segundo dados da CFF (Conselho Regional de Farmácia) o uso indiscriminado de analgésicos está em primeiro lugar, seguido dos antibióticos. Dessa maneira, por menores que sejam as reações adversas é preciso cautela ao utilizar qualquer que seja o medicamento.

Parafraseando o filósofo Confúcio, é necessário mais do que viver, tem que se viver bem. Portanto, faz-se mister a urgência de debates, realizados por profissionais habilitados, acerca das consequências negativas da automedicação, como também o empenho dos órgãos de saúde de todas as nações na ampliação do olhar sobre essa temática, de forma a impedir que o acesso aos fármacos seja (ainda mais) facilitado. Bem como a restrição de propagandas que incitem o uso de medicações por conta própria. Além do empenho governamental, para que os programas de saúde atinjam de forma holística a toda população. Somente assim, viver bem não necessariamente dependerá da automedicação.