Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/10/2019
A automedicação é a prática do indivíduo em ingerir medicamentos sem aconselhamento e acompanhamento de um profissional da saúde qualificado para prescrever o fármaco e reconhecer sua funcionalidade e precauções. Nessa perspectiva, a automedicação está em debate no século XXI, pois tornou-se um impasse de saúde pública brasileira, aumentando o índice de mortalidade devido intoxicações. Nesse viés, essa questão deve-se a facilidade de acesso a internet e as propagandas midiáticas que os brasileiros são expostos.
No âmbito social, a facilidade do acesso a internet interfere diretamente no aumento dos casos de automedicação no Brasil, pois a maioria da população possui confiança em todo conteúdo exposto na mídia virtual. Essa questão pode ser observada pela pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em que o Brasil é recordista mundial em automedicação, além disso o levantamento abordou que 72% dos brasileiros se auto medicam e 40% faz o próprio diagnóstico usando a internet. Desse modo, esses diagnósticos virtuais podem ser imprecisos e desencadeiam intoxicações no organismo do indivíduo podendo ocasionar a morte, pois é necessário analisar as precauções, dosagem máxima permitida e o período adequado para utilização de um fármaco, assim faz-se necessário recorrer ao médico a leitura da bula, além de não confiar inteiramente na internet.
Ademais, os brasileiros são expostos gradativamente as propagandas midiáticas, pois com o auxilio das propagandas o mercado farmacêutico cresce pela venda de remédios, induzindo a população a automedicação. Isso pode ser analisado diante do conceito da Indústria Cultural, do filósofo Theodor Adorno, em que esse autor defende que as mídias apresentam produtos que promovem uma satisfação compensatória e efêmera que agrada aos indivíduos, promovendo um consumo inconsciente, pois desconsideram o real significado do produto. Nesse sentido, os fármacos são instrumentos da Indústria Cultura e fomenta a automedicação dos brasileiros, uma vez que a população compra, mas não considera a validação médica e os prejuízos a saúde se consumirem por conta própria.
Portanto, o Ministério da Saúde (MS) deve intervir diante do aumento dos casos de automedicação, através de campanhas públicas contra a automedicação nos postos de saúde, hospitais e unidades de pronto atendimento do Brasil, por meio de cartazes que abordem as instruções que a população deve fazer antes de ingerir medicamentos sem consultar um médico, com o objetivo de reduzir os riscos de ingestão e intoxicação pelos fármacos. Ademais, o MS deve intervir na publicidade das indústrias farmacêuticas, através de advertências que devem conter nas propagandas, como por exemplo, procurar um médico para analisar melhor o caso, com o intuito de mitigar a automedicação.