Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 23/10/2019
No documentário americano “Take Your Pills”, dirigido por Alisson Klayman, é retratado o cotidiano de diversas pessoas que buscam melhorar seu desempenho acadêmico e laboral através do uso indiscriminado de fármacos. Semelhante ao ambiente ficcional, é evidente a prática da automedicação no Brasil e, com ela, a violação do direito à saúde delineado na Constituição Federal. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar essa prática, destacam-se a publicidade da indústria farmacêutica bem como a “banalidade do mal” advinda dela.
Em primeira análise, campanhas midiáticas voltadas aos benefícios financeiros expõem os remédios como soluções rápidas e efetivas. De maneira análoga a esse cenário, na visão da Escola de Frankfurt, a indústria cultural possui a capacidade de reafirmar e produzir novas necessidades a fim de fomentar o consumo e lucro de grandes empresas. Nesse viés, a publicidade atua como fator exponencial para o crescente uso irrestrito de medicamentos e, aliado à facilidade de acesso em farmácias e drogarias brasileiras, aumentam as taxas de substâncias químicas no organismo.
Ademais, é evidente que os incentivos de projetos comerciais do mercado de drogas medicinais contribuem para que a automedicação seja mediocrizada e aceita pelo corpo social com naturalidade, a exemplo da sociedade exposta em “Take Your Pills”. Sob tal ótica, o conceito “banalidade do mal”, proposto pela filósofa Hannah Arendt, constata que em razão da superexposição social à condutas duvidosas, originou-se um preceito de normatividade e aceitação da população perante essas ações. Dessa forna, na busca por praticidade e rapidez, parte da população tupiniquim compra remédios sem prescrição médica e, ao consumir de maneira autônoma, é exposta à possibilidade de sintomas adversos, como alergias e intoxicação.
Destarte, frente à provectos fatores midiáticos e aceitação social, a automedicação torna-se uma problemática em voga na sociedade brasileira. Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima dos aspectos administrativos e de manutenção da saúde pública, deve adotar estratégias no tocante ao uso indiscriminado de remédios, a fim de alertar a população sobre os perigos desse costume e diminuir os índices de praticantes. Essa ação pode ser feita por meio de campanhas publicitárias que informem acerca dos malefícios de ingerir remédios sem auxilio médico e os prováveis danos ao bem estar físico. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça avaliar os informes publicitários expostos em canais comunicativos e multar os que possuam informações tendenciosas e apõem a suplementação autônoma. Por fim, o direito presente na Carta Magna será obedecido e a automedicação reduzida.