Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 23/10/2019
“Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. A famosa frase presente em propagandas de medicamentos é uma orientação divulgada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, tal recomendação torna-se perigosa, tendo em vista o aumento da automedicação na sociedade brasileira e os casos de intoxicação relacionados à prática. Nesse sentido, deve-se analisar como o descaso do poder público na gestão de saúde e o uso da internet para consultar sintomas influenciam na problemática em questão.
Observa-se, em primeira instância, que o sistema de saúde brasileiro não atende as necessidades da população. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Portal G1 de notícias, o Brasil é recordista mundial em automedicação, uma vez que a prática já é comum em 90% da população brasileira. Isso ocorre devido as longas filas de espera e a demora do atendimento nas unidades de saúde, que, na maioria das vezes, demoram meses para serem realizados. Logo, o ato de se automedicar é visto como uma solução para o alívio de determinados sintomas. Nota-se que é de extrema importância que ocorram investimentos governamentais em saúde.
Por conseguinte, é inegável que a internet facilita a prática de consumir medicações por conta própria. Sabe-se que a democratização do acesso ao conhecimento facilitou o ato de se auto diagnosticar por meio do “Doutor Google”, bem como saber qual remédio tomar. Considerando-se que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite a venda de diversos medicamentos sem prescrição médica, é simples para a população adquirir um medicamento e fazer uso deste de maneira inadequada, podendo sofrer efeitos colaterais, como a intoxicação, ou até mesmo mascarar doenças mais graves. Nesse sentido, é necessário conscientizar a população sobre os perigos dessa prática.
Torna-se evidente, portanto, que a automedicação é uma questão em pauta no século XXI. Para resolver tal impasse, o Ministério da Saúde, em parceria com o Governo, investirá na utilização da tecnologia em unidades de saúde, por meio de um sistema de agendamento e prontuário eletrônico, visando diminuir as filas de espera e a possibilidade de visualizar, em um único local, o histórico completo do usuário. Ademais, juntamente com o Ministério da Educação e com a Mídia, irá investir na criação de campanhas publicitárias acerca dos malefícios da automedicação, nas quais contem com a participação de profissionais da saúde, com o fito de explicar para a população que remédios só devem ser utilizados com a indicação de um médico. Por fim, é dever do Governo Federal, controlar o fornecimento de medicamentos, por meio de uma lei que proíba a venda sem receita, evitando, assim, o abuso dessas substâncias e diminuindo essa prática tão recorrente na sociedade.