Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 31/10/2019

“House” é uma série norte-americana que se passa em um hospital em Nova Jersey. Ao longo da trama, é nítida a dependência do doutor Gregory House ao Vicodin, medicamento para dor muscular. Em virtude disso, ocorre a elaboração de diagnósticos nocivos a saúde de seus pacientes e seu prognóstico pessoal. Fora da ficção, de forma análoga, a automedicação está presente na vida cotidiana dos cidadãos brasileiros, sendo ela causadora de diversos problemas de saúde. Diante disso, analisar seriamente as raízes e frutos da problemática é medida que se faz imediata.

Primeiramente, é fundamental pontuar a negligência estatal em oferecer saúde de qualidade como promotora do problema. Nessa lógica, conforme o sociólogo Thomas Hobbes, é dever do estado garantir a saúde e a qualidade de vida de todos os indivíduos da sociedade, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades em disponibilizar profissionais e infraestrutura suficiente em todos os locais, comumente as pessoas enfrentam dificuldades ao tentarem marcar consultas. Sendo assim, por conta da indisponibilidade de vagas ou atendimento emergencial, torna-se viável a medicação sem prescrição médica, uma vez que eles sentem-se desvalorizados pelo Poder Público e impotentes diante de suas situações clínicas.

Além disso, é fulcral ressaltar que o desrespeito às leis por parte dos atendentes de drogarias contribui para intensificar a questão. Sob essa perspectiva, segundo o filósofo Dahrendorf, anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem a validade. Similarmente, nota-se que as leis proibidoras da venda de remédios sem receita médica encontram-se em anomia, uma vez que farmacêuticos e atendentes os vendem dessa maneira sem que, por vezes, sejam punidos pela infração. Por conseguinte, doenças podem ser camufladas ou agravadas por medicações, além das possíveis intoxicações. Dessa maneira, é necessária a mudança dessa postura, uma vez que devia ser da competência desses profissionais, os quais conhecem acerca de fármacos, evitar tais recorrências.

Dessa forma, medidas são necessárias para conter a automedicação. Destarte, o Ministério da Saúde deve, por meio da construção de infraestrutura e contratação de profissionais, oferecer amplo atendimento médico à população, de forma que haja agilidade no agendamento de consultas de caráter urgente. Assim, será reduzida a necessidade de se recorrer a automedicação diante de uma enfermidade. Ademais, urge que a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - intensifique a supervisão de drogarias em todo o país. Isso se dará através da contratação de fiscais e punição por meio multas e fechamento do estabelecimento em caso de venda indiscriminada de medicação. Dessa forma, a automedicação e seus impactos nocivos serão contidos e a sociedade se afastará da de “House”.