Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 31/10/2019
A automedicação é a prática de ingerir medicamentos de forma autônoma ou por indicação de indivíduos não capacitados, ou seja, sem a prescrição médica. Nesse contexto, a autoanálise feita pelas pessoas com base no senso comum e em pesquisas na internet ocasiona inúmeras consequências. Frente a fatores como o déficit no sistema de saúde e a coercitiva publicidade farmacêutica é cabível examinar a situação.
Primordialmente, é válido salientar que o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) corrobora para o quadro vigente, haja vista que as filas intermináveis, a falta de infraestrutura, de remédios, de materiais adequados e de uma equipe médica completa e bem qualificada provoca o descrédito da população perante a instituição, levando os cidadãos a buscarem outros meios como solução de suas enfermidades, como por exemplo, o uso indiscriminado de medicamentos.
Outrossim, é imperioso pontuar que os meios de comunicação também incidem diretamente na problemática. De acordo com o conceito de Indústria Cultural de Adorno, integrante da Escola de Frankfurt, a mídia objetifica o homem para que esse passe a seguir os comportamentos ditados pela seara midiática. Ao seguir essa linha de raciocínio, observa-se que as inúmeras propagandas feitas pelo comércio de fármacos e outros tipos de remédios, convencem os espectadores de que aquele é o método mais viável para amenizar os seus sintomas e leva-os a utilizarem medicamentos sem indicação dos médicos.
Diante dos fatos supracitados, os efeitos resultantes da automedicação irresponsável são incontáveis. Nesse sentido, é imperativo destacar os impactos de âmbito pessoal e coletivo, como, por exemplo, o surgimento de bactérias mais resistentes, a possibilidade de reações alérgicas e de dependência pelo produto e a intoxicação do indivíduo. De acordo com uma pesquisa feita com base nos atendimentos realizados pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp, os dados apontam o uso de medicamentos como a principal causa de intoxicação.
Depreende-se, portanto, a necessidade de aumentar a eficiência do SUS. Logo, é mister que o Governo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde, promova um redirecionamento de investimentos governamentais para o sistema afim de promover seu bom funcionamento, de modo que as unidades públicas de saúde sejam capazes de suprir as carências médicas da nação. Dessa forma, será possível que o ato de se medicar seja feito de forma mais consciente e a automedicação deixe de ser um problema no Brasil hodierno.