Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 31/10/2019

Na série de televisão norte-americana “Dr. House”, o protagonista é viciado em medicamentos que diminuem sua dor muscular. De maneira análoga à obra televisiva, tal uso de fármacos, muitas vezes sem prescrição, se faz presente na atualidade. Contudo, do campo empírico ao científico, a prática da automedicação se consolidou no país, trazendo à tona outros problemas da saúde pública nacional, já fragilizada em muitos sentidos.

Indubitavelmente, essa postura paliativa em torno do tratamento de muitas doenças, têm raízes fincadas na própria insuficiência do Sistema Único de Saúde (SUS). A massa populacional que depende desse serviço, nem sempre consegue sem atendida por um médico ou conseguir remédios gratuitos. Consequentemente, desamparados, parte da sociedade passa a ingerir por conta própria aquilo que acredita ser benéfico à saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, nos últimos cinco anos, ocorreram cerca de 60 mil casos de automedicação, que resultaram em internações.

Outrossim, a automedicação é danosa também para a comunidade científica, no que se refere a busca para a cura de muitas doenças. Sem o devido acompanhamento especializado, alguns males tratáveis podem desenvolver anomalias nocivas à sociedade, como o caso da dengue. Em meados dos anos 2000, durante o surto de dengue, muitas pessoas se automedicaram, o que corroborou para que o vírus se transformasse em hemorragia, causando diversos danos a saúde pública.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para amenizar a automedicação no Brasil. O SUS, juntamente com a mídia, deveria criar campanhas educacionais, a fim de difundir os riscos da automedicação. Além disso, o Governo Federal deve investir na qualidade dos serviços públicos de saúde, sobretudo no acesso a medicamentos gratuitos, a fim de garantir o acesso à saúde a todos, como previsto no artigo 196 da Constituição Federal. Assim, aos poucos, casos como retratados na série “Dr. House” diminuirão na sociedade.