Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 31/10/2019

No filme “Harry Potter e a Câmara Secreta”, ao utilizar o feitiço errado para emendar o braço quebrado do protagonista, o professor Lockhart elimina os ossos em questão. Fora das telas, a automedicação irresponsável, comumente difundida na sociedade brasileira, torna-se perigosa na medida que o tratamento sem orientação de especialistas pode, como no caso de Harry, agravar o quadro, e até mesmo matar.

O consumo inadequado de medicamentos causa desde reações alérgicas leves a intoxicações fatais. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, a automedicação provoca 20 mil óbitos por ano no país. Analgésicos e antitérmicos favorecem outra problemática: amenizando a dor e a febre, tratam os sintomas em vez de combater o agente que os causa. Em adição, o uso incorreto de antibióticos propicia a criação das temidas bactérias superresistentes a remédios. Assim, esse hábito promove o inchaço nas filas dos hospitais, gerando custos tanto sociais quanto econômicos.

Todavia, a banalização do consumo de medicamentos reflete a dificuldade de acesso ao atendimento médico no Brasil: a carência de profissionais da saúda e hospitais equipados, unida a sua má distribuição pelo território canarinho, compõe a atual crise na saúde. Ao contrapor esta situação e a facilidade na compra de remédios sem prescrição nas drograrias, a escolha pela automedicação revela-se mais rápida e eficaz, entranhando-se no cotidiano da população.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar este problema. Cabe ao Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Saúde, destinar mais investimentos para a melhoria do SUS, a fim de garantir o direito à saúde, previsto na Constituição, de maneira mais eficiente ao povo brasileiro. Ademais, urge a este órgão, juntamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, divulgar campanhas sobre os riscos da automedicação na midia, alertando aos cidadãos acerca da importância do consumo consciente de remédios.