Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/01/2020

O fácil acesso a medicamentos que não exigem prescrição de médicos ou de odontólogos tem gerado uma expansão preocupante da automedicação no Brasil e no mundo. Dores de cabeça, resfriados, cólicas abdominais ou menstruais, e até mesmo dores na coluna, levam muitas pessoas a medicarem-se por conta própria ou por indicações advindas de familiares, amigos ou conhecidos. A automedicação vem sendo praticada por 79% dos brasileiros com mais de 16 anos, segundo pesquisa realizada, ao final do ano de 2018, pelo ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico). Mesmo se tratando dos MIPs (medicamentos isentos de prescrição), somente considera-se aceitável fazer uso de medicação, em casos de avaliação prévia por parte de um profissional da saúde, quando são realizadas avaliações do estado clínico e uma orientação sobre a dose adequada, forma ideal de armazenamento, e possíveis efeitos adversos.

Muitas pessoas transportam em suas maletas de remédios, três principais classes de medicamentos: analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos. Quando não há armazenamento adequado, acompanhamento dos prazos de validade ou uma superdosagem do remédio, quadros graves de alergias e de intoxicações podem levar o indivíduo a falhas de sistemas vitais e até mesmo evoluir a óbito.

Outro risco da automedicação é a resistência antimicrobiana. Quando a farmácia possui disponíveis,  apenas caixas do antibiótico prescrito, com mais comprimidos do que o necessário para se cumprir o tratamento, as pessoas acabam automedicando-se com o excedente em um posterior evento de gripe ou dor de garganta. Sem antibióticos e antimicrobianos eficazes, há possibilidade de se perder a capacidade de combater infecções comuns, como a pneumonia.

Visto que o uso irracional de medicamentos pode agravar doenças ou ocultá-las, faz-se necessário que se amplie a conscientização da população a respeito de consultar prescritores e dispensadores antes de realizar a compra de qualquer medicamento. Deputados e senadores devem priorizar esforços para a implementação de sistemas regulatórios mais rígidos. Cabe também ao Governo, além da promoção das campanhas de conscientização, investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para combater a resistência antimicrobiana. As empresas do ramo farmacêutico devem ampliar investimentos na capacitação do profissional farmacêutico em sua habilidade clínica, para que os estabelecimentos promovam atendimentos mais personalizados e humanizados, facilitando o entendimento sobre uso racional dos medicamentos, interações medicamentosas e efeitos adversos.