Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 29/01/2020
Na Europa do século XIV, um terço da população foi dizimada pela Peste Negra, e a medicina assistiu de mãos atadas a epidemia se alastrar. Hodiernamente, com o desenvolvimento da ciência, antibióticos foram pensados para controlar doenças como essa, prevenindo que um novo surto ameace a saúde pública. Contudo, a problemática que a comunidade mundial encara é a da automedicação, onde seus riscos pairam sobre leves intoxicações e óbitos.
Em uma primeira análise, a legislação brasileira promove a Lei 9.294/96, que promove a propaganda de medicamentos em rede aberta de televisão, sob a condição de advertir os casos de abuso do mesmo e que persistindo os sintomas um médico deverá ser consultado. A campanha incita, de certa forma, o ato da automedicação, porém, a Organização Mundial da Saúde esclarece que se automedicar responsavelmente é uma forma econômica e benéfica ao sistema de saúde, visto que uma simples dor de cabeça ou cólica menstrual podem ser rapidamente aliviados com o uso de remédios sem tarja.
Em contrapartida, dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), relatam que a automedicação é motivadora de 20 mil mortes anualmente no Brasil. Exemplos reais dessa maléfica e inadequada prática são descritos no documentário americano, “Take your pills”, onde a produção mostra relatos de cidadãos que abusam do uso irracional de fármacos e suas consequências na vida delas, como dependência, agravamento de doenças, resistência de microrganismos, reações alérgicas e até óbito.
No passado, o medo circundava-se em torno da escassez das formas de tratamento de patologias, e hoje lida-se com o excesso dela. Dessa forma, o Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a taxa de mortalidade e conscientizar a comunidade sobre as ameaças da automedicação, a Lei 9.294/96 deve ser revisada, os critérios para aquisição de remédios em farmácias ser tornarem mais rígidos e monitorados e as tarjas serem respeitadas, se fazendo obrigatória a prescrição médica.