Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 26/03/2020

A ascensão da Quarta Revolução Industrial propiciou uma evolução significativa na relação da sociedade com indústria farmacêutica, uma vez que a digitalização das empresas tornou mais fácil a autonomia dos pacientes para com a aquisição de fármacos. Consequentemente, o uso indiscriminado de remédios faz-se cada vez mais presente no Brasil do século XXI, o que gera riscos físicos e psíquicos para a saúde humana. Com efeito, é nítido que a automedicação, na contemporaneidade, se dá, ora pelas propagandas abusivas de medicamentos, ora pela negligência do Poder Público, sendo imprescindível expor e viabilizar medidas para aplacar esse panorama.

Em primeira análise, é imperativo pontuar o crescente interesse financeiro da indústria farmacêutica na manutenção da automedicação. Dessa forma, tal prática tem sido estimulada por meio de propagandas de fármacos veiculadas pelas empresas do setor, maximizando suas fontes de lucro. Por consequência, a saúde da população fica em segundo plano, haja vista que o consumo desenfreado de remédios causa problemas no bem-estar físico e mental dos cidadãos. Isso comprova-se por dados do Sistema Nacional de Informações Tóxicos-Farmacológicas (SINITOX), que revela que o Brasil tem como principal agente tóxico os medicamentos, atingindo aproximadamente 28% dos casos de intoxicação humana no país. Logo, é mister que haja um controle mais rigoroso no que tange à publicidade nesse âmbito.

Outrossim, é lícito postular que a negligência do Estado agrava essa problemática. Tal fato se dá, sobretudo, pela falta de uma fiscalização efetiva dos órgãos públicos em relação à venda de fármacos pelas empresas. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a cada três remédios vendidos no país, dois são adquiridos sem prescrição médica, o que revela falhas de monitoramento no consumo de medicamentos. Assim, é substancial que haja uma atuação mais promissora do Poder Público nesse cenário, a fim de mitigá-lo.

Em síntese, urge que ações sejam concretizadas para amenizar a automedicação no século XXI, pois esta compromete a saúde humana. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, ampliar os investimentos em mecanismos de fiscalização das vendas em farmácias ,tanto no espaço digital,quanto físico, a partir da inteligência artificial e recursos tecnológicos, a fim de diminuir a aquisição de remédios sem prescrição médica e o consumo exacerbado destes. Ademais, o Governo Federal, mediante o Poder Legislativo, deve ampliar a lei de regulamentação da publicidade de medicamentos, aplicando punições mais rigorosas às empresas que realizam propagandas abusivas. Dessa maneira, será possível reverter a problemática vigente.