Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 09/04/2020

De acordo com o filósofo francês Saint-Évremond, a saúde de cada indivíduo deixa de favorecê-lo a partir do momento que abusam dela. Nesse contexto, a automedicação pode parecer, muitas vezes, uma ato que mantenha o ser humano saudável, porém, há a possibilidade de ocorrer alguma intoxicação ou dependência, em relação ao uso indiscriminado do medicamento. Desse modo, a automedicação é possibilitada pela irregularidade praticada em algumas farmácias, ao vender remédios que necessitam de prescrição médica, mas é um fator que pode diminuir o inchaço  da saúde pública.

A princípio, considera-se que o inchaço no sistema de saúde pode ser reduzido pela automedicação em situações que não sejam graves. Esse faz com que, apesar do direto a saúde garantido pelo Artigo 196 da Constituição de 1988, o sistema já se encontra precário, de tal forma que não há condições de tratar todos os pacientes e que o direito geral seja incapaz de ser suprido pela alta demanda, ao passo que muitos casos, em hospitais públicos, sejam de pouca gravidade e  que alguma medida natural ou algum remédio vendido legal sem prescrição já resolveriam. Um exemplo disso é o que ocorre no Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde 67% dos atendimentos são casos não prioritários. Dessa maneira, a automedicação, em casos leves, poderia diminuir a superlotação no sistema público.

Ademais, ressalta-se que a venda ilegal de medicamentos, que necessitam de prescrição médica, por algumas farmácias, potencializa a automedicação. Isso ocorre porque não há fiscalização adequada da venda de remédios, principalmente nas localizadas em cidades pequenas e farmácias tradicionais de bairros de grandes cidades. Por exemplo, o Rivotril, o qual é considerado ansiolítico, tarja preta e que necessita de prescrição, é o segundo medicamento mais vendido no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, de modo que os números de uso não condizem com as condições necessárias para a sua venda, visto que este é contraindicado pelos seus efeitos viciantes e pelo seu foco no sistema nervoso central. Dessa forma, fármacos restritos, são vendidos ilegalmente e sem atenção médica, mesmo que a receita seja necessária.

Portanto, a fim de controlar a automedicação, primeiramente, as Secretárias de Saúde de cada município deve promover a fiscalização das farmácias locais, por meio do controle do estoque e venda de medicamentos contraindicados, os quais necessitariam de uma cópia da receita médica. Outrossim, as escolas devem apresentar disciplinas facultativas, para que cidadãos saibam se automedicar corretamente, em casos de pouca gravidade e sem a necessidade de consulta ao médico, por meio de palestras e aulas direcionadas por profissionais da saúde. Assim, o ser humano será favorecido pela consciência do uso de medicamentos, sem que haja o abuso de sua saúde.