Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/04/2020
Em 1930, Manuel Bandeira no seu poema “Pneumotorax”, mostrou de forma trágico-cômica a morte que se aproximava de um sujeito com tuberculose. Atualmente, o parecimento das superbactérias volta a ameaçar a saúde pública e entre as possíveis causas para essa preocupante situação, estão os casos de automedicação e o uso desmedido de antibióticos na produção de proteína animal.
De início, é válido ressaltar que a automedicação corrobora com o surgimento de mutações bacterianas e virais, que podem ser agravantes para a população, visto que, não há medicamentos para agentes super resistentes em vigor na indústria farmacêutica. E com isso, notícias publicadas pela Fundação Oswaldo Cruz, que destacam o Brasil como cenário de 23 mil mortes anuais por automedicação será recorrente, e a visibilidade de um país negligente em ações públicas preventivas tornam-se alarmantes.
Segundo dados do jornal, O Globo, em 2016, o Brasil é o terceiro país do mundo que faz uso continuo de antibióticos na pecuária. Nesse contexto, é possível observar que somente ações governamentais sobre a imprudência da população não é o suficiente, já que a alimentação também se tornou um fator de risco para a saúde pública. E assim, é evidente a necessidade de regulamentação estatal sob o uso de medicamentos na produção de gado para corte.
Portanto, é imprescindível a criação de medidas públicas para a resolução efetiva da problemática em questão. Logo, é dever do Ministério da Saúde, por meio de campanhas de conscientização em centros urbanos, promover palestras ministradas por agentes da saúde que informem a população sobre os riscos da automedicação. Além disso, é dever do Ministério da Agricultura, com o auxílio de pesquisas da área da Biotecnologia, restringir o uso indiscriminado de antibióticos na criação e sustentação do gado. E somente assim, será possível garantir a prevenção de problemas de saúde oriundos da irresponsabilidade humana.