Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 06/04/2020

Historicamente, no Brasil, perpassam gerações os costumes relacionados ao autotratamento de doenças: receitas naturais, ervas, plantas, chás, etc. Embora essa idiossincrasia baseada ora em experiências, ora em crenças, perdera espaço, majoritariamente, para os avanços da biomedicina, nos dias de hoje, mantém-se intrínseca aos cidadãos e, em muitos, revela uma faceta nefasta: a automedicação, a qual, frente aos poderosos medicamentos da indústria farmacêutica, promoverá problemas na esfera da saúde.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que as tradições do país acerca da medicina causam essa problemática mediante o “efeito Dunning-Kruger”. Conforme essa teoria dos psicólogos Dunning e Kruger, os indivíduos que possuem pouco senão nenhum conhecimento factual em uma determinada área têm tendência a acreditarem que são especialistas nessa, afastando-se dos fatos científicos e fechando-se em “bolhas”. Nesse sentido, considerando as raízes culturais da medicina brasileira, o superficial conhecimento sobre o uso consciente de medicamentos, o qual se agarra às tais raízes, atrelado a uma forte ignorância frente a provas concretas acerca dos malefícios da automedicação leva, muitas vezes, à consolidação dessas “bolhas” através da prática dessa tortuosa atividade.

Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, observar-se-á o principal e mais assustador resultado dessa conjuntura, a manifestação das superbactérias. Em suma, conquanto, ainda, como uma teoria, é o conceito biológico que visa a mutação e a adaptabilidade de patógenos quando expostos a exacerbadas quantidades de medicamentos, o que, na prática, criaria microrganismos extremamente resistentes: um terror à espécie humana. Nesse viés, caso a sociedade não se atente aos perigos da automedicação, notar-se-ão bactérias consideravelmente mais fortes, as quais colocarão em voga a permanência da espécie humana como um todo.

Portanto, infere-se que, visto os terríveis efeitos da problemática, é necessário confrontar essa prática imediatamente para divergir de um possível fim da espécie. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde o dever de disseminar informações acerca de como agir perante doenças: procurando ajuda especializada, dissonante do “efeito Dunning-Kruger”; e sobre os perigos da automedicação, por meio de propagandas, com apoio midiático, e das redes sociais, a fim de romper com as “bolhas” frente a esse traço da sociedade. Assim, evitar-se-á a eliminação da espécie e construir-se-ão cidadãos menos alienados às raízes negativas do passado, eliminando a automedicação do Brasil.