Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/04/2020

Historicamente, no Brasil, perpassam gerações os costumes relacionados ao autotratamento de doenças: receitas naturais, ervas, plantas, chás, etc. Embora essa idiossincrasia baseada ora em experiências, ora em crenças, perdera espaço, majoritariamente, para os avanços da biomedicina, ela se mantém intrínseca em muitos dos cidadãos e revela uma faceta nefasta atualmente: a automedicação. Desse modo, cabe analisar a razão cultural para a permanência dessa prática no Brasil, a qual, infelizmente, incita problemas na esfera da saúde.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que as tradições no país acerca da medicina causam essa problemática mediante o “efeito Dunning-Kruger”. Conforme essa teoria dos psicólogos Dunning e Kruger, os indivíduos que possuem pouco senão nenhum conhecimento factual em uma determinada área têm tendência a acreditarem que são especialistas nessa, afastando-se dos fatos científicos e fechando-se em “bolhas”. Nesse sentido, é válido dizer que as raízes culturais do país incitam essa teoria, na medida em que o uso inconsciente de remédios, causado pelo traço brasileiro da automedicação, promove indivíduos ignorantes frente aos malefícios dessa prática, presos em suas “bolhas”.

Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, observar-se-á o principal e mais assustador resultado dessa conjuntura: a manifestação das superbactérias. Em suma, embora, felizmente, ainda seja uma teoria, ela prevê, através desse conceito no ramo da biologia, que o uso exacerbado de diversos medicamentos incita a mutação e a adaptabilidade de micro-organismos, tornando-os mais resistentes. Nesse viés, caso a sociedade não se atente aos perigos da automedicação, notar-se-ão bactérias consideravelmente mais fortes e que colocarão em voga a permanência da espécie humana como um todo.

Portanto, infere-se que, visto os terríveis efeitos da problemática, é necessário confrontar essa prática imediatamente objetivando divergir de um possível fim da espécie. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, como instância ativa máxima do Governo no que concerne à saúde, o dever de disseminar informações acerca dos perigos da automedicação e sobre como agir perante doenças: procurando ajuda especializada, como médicos, por meio das redes sociais e de propagandas, contando com o apoio midiático, a fim de romper com as “bolhas” frente a esse traço da sociedade. Destarte, evitar-se-ia a eliminação da espécie, de forma a construir cidadãos menos alienados e acorrentados às raízes negativas do passado, eliminando a automedicação do Brasil.