Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 08/04/2020

A série televisiva Grey´s Anatomy, tematiza em alguns episódios, a questão da automedicação e os prejuízos causados na saúde por essa prática. Fora da ficção, vê-se que a ingestão não supervisionada de medicamentos está presente na sociedade hodierna por diversos fatores, seja para sanar sintomas ou aumentar o desempenho no âmbito profissional, acadêmico ou pessoal. Ademais, não prejudica apenas a saúde do indivíduo, mas também abre portas à seleção de bactérias resistentes, mascaramento de doenças, dependência, corroborando o aumento da crise do sistema de saúde.

A princípio, o atendimento de saúde  é direito de todos e deve ser de qualidade visando garantir o bem-estar social, como proposto pela Constituição Federal de 1988. Diante disso, devido ao sucateamento do serviço de saúde pública, observa-se a negligência estatal em garantir a efetivação desse fundamento, assim, muitos optam por buscarem por respostas na internet, a fim de ocorrer o mascaramento de doenças ou até mesmo o abuso de substâncias farmacêuticas. Dessa forma, ocasionando intoxicações, prejudicando órgãos; no caso dos antibióticos, especificamente, pode ocorrer a seleção de bactérias resistentes, ocasionando infecções mais difíceis de serem tratadas, piorando a crise do sucateamento.

Por conseguinte, o imediatismo decorrente do sistema capitalista em que os indivíduos frequentemente se sentem pressionados a apresentar alto desempenho, sem tempo para o descanso ou até para recuperação da saúde. Segundo o documentário “Take your pills”, alguns medicamentos oferecem aos estudantes, trabalhadores, atletas e vários outros, chaces de aprestarem altos desempenhos, e a sensação praticarem suas atividades com mais agilidade, porém, com o passar do tempo, as consequências virão e trarão inúmeros problemas a saúde. Nesse contexto, é evidente que, a pressão social por produtividade traz diversos problemas aos cidadãos, principalmente àqueles que optam por medicamentos sem prescrição, e com facilidade de acesso, e acabam se tornando dependentes, assim como Michael Jackson e Elvis Presley, que morreram.

Logo, é notório que medidas devam ser tomadas para combater esse hábito danoso presente na sociedade atual. Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Federal de Medicina e de Farmácia, promovam campanhas informativas e de alerta, por meio das mídias televisivas, radiofônicas, sociais e impressa,  com o intuito de alertar a população dos riscos e as consequências da automedicação, trazendo relatos de formadores de opiniões, como médicos e farmacêuticos, a partir de uma linguagem compreensível a todo público. Para mais, reforçar nas bulas os perigos da ingestão de medicamentos sem prescrição médica.