Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/04/2020
A dignidade da pessoa humana está relacionado a um valor moral inerente à pessoa, assim, de acordo com a Constituição Federal de 1988 do Brasil, os cidadãos possuem direito à saúde de qualidade. Entretanto, ao observar o aumento linear da automedicação, percebe-se que esse direito é contestado. Neste contexto, deve-se analisar como o precário sistema de saúde pública e a comodidade na aquisição de remédios colaboram para o debate da temática.
Mormente, a baixa infraestrutura dos hospitais públicos é o principal fator responsável para a problemática. Nesse sentido, tal fato ocorre porque não há investimento adequado por parte dos governantes em adquirir, por exemplo, maiores quantidades de aparelhos hospitalares. Por consequência, os médicos optam em trabalhar em hospitais particulares por possuírem maior segurança em diagnosticar doenças e receitar remédios. Assim, o SUS - Sistema Único de Saúde, torna-se refém da escassez de profissionais da saúde e, em consonância, da superlotação.
Outrossim, a comodidade na aquisição de remédios é outro fator primordial para o debate. Essa situação se deve porque diante à dificuldade de conseguir horário nos hospitais públicos, os cidadãos se automedicam, seja por falta de conhecimento das consequências dessa ação, seja pela demora do atendimento. Logo, análogo a automedicação, durante o Governo de Rodrigues Alves no Rio de Janeiro, ocorreu uma revolta popular conhecida como Revolta da Vacina, onde a população se recusava a vacinar por desconhecimento do que era a vacina. Assim, a carência de ensino perpetua-se até os dias atuais, corroborando para a formação do senso comum como verdade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, deve investir em maiores números de aparelhos para os hospitais, afim de atrair médicos capacitados para o setor público, com o viés de atender toda a população necessitada. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve, por meio de palestras com profissionais da saúde, ensinar os estudantes a não se medicarem antes de consultar um médico, visando formar alunos capacitados para viver em sociedade livre do senso comum, comprovando, assim, o pensamento do cantor Jimi Hendrix: ’’ Para mudar o mundo, você precisa antes mudar a sua cabeça.''