Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 14/04/2020

Segundo o pensamento do filósofo Claude Levi – Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. De maneira análoga, em 1516, na obra ‘’ Utopia “, o escritor o escritor inglês Thomas More se destacou no campo literário ao narrar uma sociedade coesa e equitativa. Não obstante, no Brasil, observa-se o contrário, um exemplo são os perigos da automedicação, que têm como alicerce não somente a falta de orientação, mas também o comprometimento da saúde pública. Sob esse aspecto, convém analisar o problema em questão.

Em primeira instância, vale destacar que as palavras presentes na bandeira do país- ordem e progresso, retratam os objetivos de nação. Para avançar, é mister que ocorram ações baseadas na empatia e no bem geral. Contudo, segundo a visão de Lévi-Strauss, nota-se que a população sobre com os perigos da automedicação. Por conseguinte, um dos medicamentos utilizados pelos jovens, sem prescrição médica é o cloridrato de metilfenidato, indicado para o tratamento de deficit de atenção. Nessa perspectiva, especulações sobre os benefícios do medicamento para quem não possui o transtorno, ocasionam em sérios problemas de saúde e gastos públicos, que são provocados pela negligência social.

Ademais, é importante destacar que a falta de investimentos na saúde pública é um grande impulsionar do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida vivida no século XXI. Nesse contexto, a crise do sistema farmacêutico é uma crítica por ineficácia, que por sua vez permite a ausência de profissionais especializados na prescrição de medicamentos sob orientação médica. Diante de tal, medidas precisam ser tomadas para que haja harmonia entre a saúde pública e o senso comum.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para resolver os problemas causados pela automedicação. Para isso, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, principal regência que ergue esse setor, investir em farmacêuticos nas unidades de saúde, com intuito de diminuir a venda de medicamentos que não sejam permitidos, visando o bem-estar da população, por meio de verbas governamentais, como também a criação de campanhas publicitárias que fomente os perigos da automedicação, para que as pessoas possam comprar somente o necessário. Assim, a partir dessas ações, será possível voltar a utopia e garantir uma visão inovadora para o cotidiano.