Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 22/04/2020

O documentário “Take your pills” da netflix, retrata o uso indiscriminado de medicamentos entre os jovens, com o fito de aumentar sua produtividade. Dessa maneira, nota-se no Brasil 72% da população que se automedica mediante algum sintoma, após pesquisar no google. Entretanto, este cenário antagônico que é perigoso para a saúde do indivíduo é fruto da facilidade virtual de encontrar variadas respostas à um sintoma, e da precariedade do sistema de saúde. Diante disso, torna-se fundamental ampliar discussões acerca desse tema, para reverter tal situação.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o acesso facilitado à internet, leva as pessoas a pesquisar sempre que se sentem desconfortáveis com algum fator em seu corpo. De fato, a democratização da informação pelo meio virtual contribui ao evitar que haja lotação dos postos de saúde por sintomas brandos como uma dor de barriga. Porém, quando se trata de uma dor de barriga contínua acompanhada de outros sintomas mais graves, a automedicação pode piorar a saúde do indivíduo e até auxiliar na formação de superbactérias - bactérias que se tornam resistentes a vários antibióticos. Segundo um estudo do ICTQ, 40% das pessoas fazem autodiagnóstico pela internet, esse fato pode prejudicar demasiadamente o indivíduo por não receber diagnóstico e tratamento devidos.

Ademais, é imperativo ressaltar que a precariedade no sistema de saúde propicia o indivíduo a tratar-se em casa. Tendo em vista que há a venda de muitos medicamentos sem receita médica, a população vê isso como algo bom e até estoca remédios em casa. Portanto, segundo a OMS, essa automedicação presente na sociedade atual já matou até 20 mil pessoas por ano. A saber dos fatores supracitados, conclui-se que que a automedicação proporciona mais riscos que benefícios, então a sociedade deve ser conscientizada.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter esse quadro. Dessarte, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que por intermédio do Ministério da Saúde será revertido em campanhas por meio dos veículos midiáticos, a respeito das problemáticas que a automedicação e o autodiagnóstico causam ao indivíduo. Além disso, o mesmo interventor deve investir em reformas nos postos de saúde, estruturais e estratégicas, para que a população sinta-se confortável e opte por ir à um posto assim que sentir necessidade, evitando a automedicação.