Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 25/04/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, um corpo social isento de problemas é retratado. Fora da ficção, o Brasil encontra-se em um campo hodierno onde a utilização de remédios sem prescrição ganha destaque negativo no século XXI, intrinsecamente relacionado á realidade do país, seja pela falta de instrução sobre a automedicação responsável, seja pela falha do sistema de saúde do país.

Primordialmente, é importante destacar que, a carência de informação a cerca do uso de medicações de forma devida é indubitável. A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso de medicamentos sem prescrição para enfermidades consideradas leves, como cólicas menstruais e dores de cabeça, com intuito de preservar os leitos hospitalares para casos clínicos mais graves. Em contrapartida, a ausência do acompanhamento médico durante o tratamento torna-o perigoso, haja vista que, a dosagem e duração hiperbólicas ou insuficientes podem agravar o quadro do paciente. Ademais, é possível associar a essa desinformação, a didática utilizada na elaboração das bulas dos fármacos, as quais possuem uma linguagem complexa que dificulta o entendimento do leitor leigo, e favorece a criação de barreiras entre o paciente e o conhecimento.

Por consequente, o Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta dificuldades em sua infraestrutura para receber pacientes em grande demanda, o que resulta em longas filas de espera. De acordo com um levantamento realizado pela Associação de Indústrias Farmacêuticas, por ano são registradas cerca de 200 000 mortes associadas à automedicação irresponsável, fato que se agrava pela falta de acesso á hospitais públicos pela maioria da população, contrariando o artigo XXV da Declaração dos Direitos Humanos que prevê o direito á saúde para todo ser humano.

Portanto, é necessária uma intervenção pontual no problema. Cabe ao Governo Federal, em conjuntura com profissionais de saúde capacitados, desenvolver ações que solucionem a questão. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da produção de vídeos, a fim de alertar e informar sobre a problemática. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar visibilidade. Dessa forma, é viável a construção de um mundo como o idealizado por More.