Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 25/04/2020
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Nesse contexto, um grande número de pessoas procuram se automedicar para alcançar isso de maneira mais rápida. Entretanto, o uso da medicação autônoma pode trazer consequências indesejadas. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, o sucateamento da saúde pública e o fácil acesso aos medicamentos acabam por contribuir para a situação atual.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a medicação por conta própria deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, tem-se um sistema de saúde pública insatisfatório, com a falta de infraestrutura, produtos e profissionais, além disso, o atendimento é demorado e insatisfatório, que, por conseguinte, gera descrédito da população. Nesse contexto, nota-se que o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, que diz respeito à saúde pública de qualidade para todos, não é cumprido, hodiernamente, no Brasil.
Faz-se mister, ainda, salientar a descomplicada obtenção de medicação como promotora do problema. De acordo com o Instituto da Ciência Tecnologia e Qualidade, 72% da população brasileira fazem uso de automedicação, sendo 40% por meio da internet. Partindo desse pressuposto, percebe-se que boa parte das pessoas pensam não precisar mais ir a hospitais ou postos de saúde para resolverem seus distúrbios, já que podem apenas pesquisar e ir em alguma farmácia próxima comprar o fármaco sem precisarem de receitas médicas, ou mesmo documentos em muitos casos.
Em vista disso, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática em meio a sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar o uso da medicação autônoma, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do ministério da saúde será revertido na infraestrutura dos hospitais, por meio de compra de aparelhos eficazes, aumento dos hospitais públicos, número de médicos capacitados - que estarão à disposição para atender o maior número de pessoas possível e com medicamentos de maior qualidade -. Ademais, deverão também ser criadas leis pelo poder legislativo, de modo que seja necessária receita médica em um maior número de medicamentos. Apenas dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo desse problema, aproximando-se da realidade descrita por Platão.