Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 04/05/2020

De acordo com o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, todos têm direito à saúde. Entretanto, esse princípio não está sendo cumprido em sua totalidade, haja vista que os danos causados pela automedicação são, de acordo com o G1, recorrentes no Brasil. Isso ocorre tanto pela dificuldade em conseguir atendimento gratuito quanto pela influência comercial. Assim, cabe a análise acerca de tais fatores para possível solução.

A priori, é indubitável que os indivíduos, para tratar doenças e enfermidades, necessitam do acesso às plataformas de saúde. Segundo o conhecido “Contrato Social”, de Jean Jacques Rosseau, o bem-estar social e coletivo é um direito da sociedade, que deve ser assegurado e protegido pelo Poder Público. Contudo, esse ideal não é visto, efetivamente, no hodierno cenário brasileiro, uma vez que o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), é demorado e os recursos fornecidos são limitados. Desse modo, a população que não contém recursos financeiros para o atendimento particular é prejudicada, tornando-se suscetível ao agravamento de seus problemas.

Outrossim, é válido ressaltar que a ingestão de medicamentos é facilitada pela saturação dos comércios farmacêuticos e, por conseguinte, pela variedade de propagandas e promoções. “Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”. A frase reprisada rapidamente nos canais de televisão é uma orientação do Ministério da Saúde, com o intuito de amenizar o uso excessivo de remédios. No entanto, o estímulo da mídia para compra e estoque de medicamentos contribui negativamente para a saúde, já que, ao manter os sintomas, os indivíduos buscam por outras drogas, apresentadas pelos meios de comunicação,e não ao médico. Dessa maneira, a ingestão indiscriminada favorece a resistência de bactérias no organismo bem como a dificuldade em resolver a enfermidade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar os fatos supracitados. Logo, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com as Secretárias Regionais, aumente, por meio de emendas constitucionais, a verba destinada à rede de saúde pública, principalmente nas áreas com maior precariedade, a fim de garantir o acesso à saúde para todos e evitar a automedicação. Além disso, urge que o Ministério da Educação, atrelado às faculdades com direcionamento na área da saúde, desenvolva palestras, ministradas pelos estudantes e professores, em escolas, sobre as consequências de automedicar-se. Tal atividade deve ser direcionada aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento deve ser aberto à comunidade e divulgado nos principais meios midiáticos, com o intuito de alcançar o maior número de pessoas. Dessarte, o conhecimento acerca da automedicação estará presente no entendimento da população, e o direito à saúde, previsto no artigo sexto, será assegurado.