Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/04/2020

A Constituição Federal de 1988, promulgada por Wlysses Guimarães, aponta que todo cidadão tem direito à saúde. Portanto, na prática, tal garantia é deturpada, já que existe o uso desregrado de fármacos na sociedade brasileira, o que, hodiernamente, interfere na saúde do indivíduo. Com isso, pode-se destacar como principais fatores que corroboram essa problemática: a negligência governamental, bem como o analfabetismo social no âmbito farmacológico.

No tocante à saúde pública, é possível ressaltar que o desmazelo dos governantes impulsiona, cada vez mais, o problema, pois as políticas públicas de prevenção e tratamento não são priorizadas, podendo ser citado o programa de controle da pressão arterial. Nesse contexto, o filósofo inglês John Locke afirma que o Estado, mediante um contrato social, deve garantir a todos os indivíduos o bem-estar. No entanto, nota-se o oposto das ideias de Locke, pois as autoridades não criam ações que solucionem a automedicação. Consequentemente, ocorrerá a prevalência desse cenário no Brasil contemporâneo e outras doenças secundárias surgirão decorrentes da ingestão indevida de fármacos, a exemplo disso o câncer hepático. Desse modo, os princípios constitucionais são desrespeitados tornando imprescindível uma intervenção imediata para contornar esse obstáculo.

Ademais, a falta de conhecimento da sociedade é um vetor que intensifica o uso demasiado de medicamento, visto que essa prática é pouco questionada pelas empresas farmacêuticas que têm como prioridade a lucratividade. Conforme a pesquisa divulgada, em 2019, pelo site de notícias G1, apenas um terço da população do país busca atendimento médico para diagnóstico e tratamento. Lamentavelmente, vê-se a generalização da automedicação na atualidade, pois a carência de senso crítico e a falta de atendimento adequado colabora, ainda mais, com essa negativa. Dessa forma, as comunidades mais carentes tenderão a realizar, descontroladamente, essa prática, assim, uma estratégia é importante para superar a causalidade supracitada.

Portanto, são necessárias medidas que atenuem o consumo inadequado de medicamentos pela sociedade atual. Para tato, o Governo Federal, responsável pelo bem-estar social, deve elaborar medidas para superar as necessidades na saúde da população menos favorecida, por meio de programas e verbas públicas, a fim de resolver a automedicação e evitar problemas secundários, como intoxicação ou a morte dos indivíduos. Outrossim, cabe ao Ministério Público incentivar a orientação nas unidades de saúde, como farmácias e proibir a venda de medicamentos sem receita, por meio da aplicação de multas, no fito de coibir o uso desnecessário de fármacos. Logo, a saúde será garantida a todos.