Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 10/05/2020
Nos séculos XII e XII, durante a Inquisição - instituição formada pela igreja católica para julgar atos de heresia -, inúmeras mulheres foram para fogueira pela prática de poções usando plantas. Com isso, desenvolveram conhecimentos empíricos que contribuíram para a medicina. Atualmente, mesmo com a existência de pessoas qualificadas para o cuidado da saúde, muitos indivíduos ainda preferem resolver seu problemas em casa, com a automedicação. A principal causa deste problema se deve a carência de profissionais da saúde, resultando no uso inadequado de medicamentos.
Em primeiro lugar, a falta de médicos para diagnosticar e prescrever remédios tem sido uma das causas para a automedicação. Com a alta demanda de pessoas doentes, o sistema de saúde é sobrecarregado e não se é possível atender a todos rapidamente. Além disso, por ser uma área que demanda muito trabalho e esforço, o índice de indivíduos capacitados não é alto. Esses dois fatores, somados ao alto valor do sistema de saúde faz com que sua precariedade seja evidente. Porém, segundo o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 que diz que “A saúde é direito de todos e um dever do Estado”, o que torna inadmissível o fato de que ainda no século XXI algumas pessoas ainda não tenham acesso a esse recurso.
Outrossim, é importante ressaltar a utilização errônea de fármacos como uma das consequências da ausência de profissionais especializados para o cuidado da saúde. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a cada três remédios vendidos no Brasil, dois são sem prescrição médica e isso resulta em problemáticas como o equívoco do diagnóstico, levando a dificuldade de um tratamento adequado posteriormente. Ademais, a superdosagem tem se apresentado como a causa de diversas mortes no cenário nacional. Com isso, percebemos a importância da automedicação apenas em casos mais simples e do cuidado com seus efeitos colaterais e dosagens.
Nesse viés, se faz necessário que o Estado forneça recursos econômicos ao Ministério da Educação para que ele viabilize o ingresso de mais estudantes no curso de medicina, por meio da construção de mais instituições de ensino públicas ou fornecendo descontos em faculdades privadas, formando então mais médicos, fato que resultará em mais profissionais atendendo mais enfermos. Ademais, a Anvisa deve restringir o número de medicamentos disponíveis para a compra sem receituário, evitando os problemas gerados pelo mau manuseio dos fármacos. Desta forma, resolveremos alguns problemas do corpo humano, assim como as mulheres queimadas na Inquisição.