Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/05/2020
No livro “Admirável mundo novo”, escrito por Aldous Huxley, descreve uma sociedade viciada em pílulas que são usadas, principalmente, para o bem-estar psicológico. Fora da ficção, no Brasil, diversas pessoas também consomem quantidades exageradas de medicamentos com o objetivo de tratar os seus desconfortos físicos. A luz disso, essa realidade persiste devido a condição precária do sistema de saúde e também pelo acesso de informações equivocas sobre medicamentos.
A priori, é notória a péssima situação do sistema de saúde que tem baixo investimento por parte do Governo Federal. Nesse sentido, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil, no ano de 2018, gastou apenas 3,8% do PIB em saúde pública. Dessa forma, os pontos de atendimento não possuem capacidade de atender toda a população necessitada de maneira eficiente. Nesse contexto, os cidadãos são desestimulados a buscarem ajuda em hospitais do Estado, consequentemente, a população procura maneiras de tratamento por meio da automedicação. Contudo, essa prática não é aconselhada, pois os indivíduos não sabem a maneira correta de usar os remédios, ocasionando o agravamento dos sintomas.
Ademais, a internet possibilitou ao acesso de diversas informações sobre doenças e medicamentos, ao qual muitas delas não são de fontes confiáveis. Nessa conjuntura, segundo o filósofo alemão, Theodor Adorno, “o ser humano é influenciado por tudo aquilo que ouve e vê”. Desse modo, as informações contidas no meio virtual são consideradas como verdade por grande parte da população. Sobre essa perspectiva, muitos indivíduos acabam agravando seus problemas de saúde seguindo receitas médicas erradas. Além disso, os medicamentos podem tornar as pessoas dependentes a eles, e também há possibilidade de se tornarem resistentes a determinadas substâncias. Nesse espectro, apesar da internet armazenar muitas informações relevantes sobre remédios, os internautas não usam as informações de maneira correta.
É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar esse problema. Assim, para que os cidadãos não busquem a automedicação como solução à suas enfermidades, urge que o Ministério da Saúde promova maior quantidade de investimentos à saúde pública, por meio de alocação de recursos para o melhor funcionamento dos serviços, e para a ampliação da oferta e gestão dos hospitais. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar leis que impeçam a criação de sites com temáticas direcionadas a saúde, que não sejam administradas por profissionais do ramo, devem também aconselhar que apresentem em sua página inicial um aviso informando da importância de procurar um médico qualificado.