Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/05/2020
Conforme o filósofo francês Jean-Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre. Contudo, na sociedade contemporânea, tal liverdade deve ser administrada com responsabilidade, assim como toda e qualquer medicação. Sob essa ótica, aponta-se a maléfica cultura de automedicação como fruto da dificuldade no atendimento dos sistemas de saúde, além do fácil acesso à compra de medicamentos. Ambos, aliados à falta de informação acerca dos possíveis efeitos colaterais da prescrição autônoma de remédios, configuram um debate fundamental do século XXI.
De acordo com um artigo publicado na Revista de Saúde Pública da USP, serviços públicos de saúde de países não desenvolvidos sofrem com extensas filas de espera, falta de médicos e escassez de leitos. Sob esse viés, tem-se que, reiteradamente, pessoas enfermas preferem se tratar sem o prévio auxílio médico, devido à maior praticidade e encaixe à apressada rotina moderna. Isto, se feito sem o discernimento necessário ou estendido por longos períodos, pode gerar de alergias à dependência química e morte, como aponta Dráuzio Varella, médico paulista. Dessa forma, torna-se indispensável a melhoria das problemáticas supracitadas, para que a medicina profissional substitua a automedicação como primeira opção de tratamento.
Ademais, a venda de remédios tarjados sem prescrição médica, contraindicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e a troca de medicamentos por outros similares, configuram facilitadores à prática em análise. Ao possibilitar o acesso a fármacos não prescritos sob consulta profissional, o farmacêutico pode interferir na eficácia de tratamentos paralelos, em virtude da reação entre os compostos químicos. Outrossim, em entrevista ao Jornal Novo Tempo, o médico Ulisses Ribeiro afirma que os efeitos de uma medicação variam conforme o organismo. Isto posto, corrobora-se a periculosidade de tal comercialização, e, ainda, da ignorância no que se refere às consequências de tal práxis.