Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/05/2020
É comum se ver, nas dramaturgias, quando os atores passam por momentos de adversidade, repentinamente aparece alguém para oferecer analgésico ou calmante como forma de amenizar àquela dor e/ou angústia. Entretanto, essas cenas de filmes e novelas, incentivam o telespectador a tomar remédios sem receita médica, um hábito, o que ocasiona problemas futuros. Nesse contexto, não há dúvidas de que a automedicação é um desafio no Brasil, o qual ocorre não só devido ao uso inadequado da internet, como também pela negligência governamental.
No contexto abordado, muitos indivíduos utilizam a internet para fazer pesquisas acerca inúmeros assuntos, inclusive sobre saúde. De acordo com o pesquisador estadunidense Richard Simon, o fenômeno do “Dr. Google” na Web, é tido como um problema que deve ser solucionado pelas autoridades. Nesse sentido, parte dos internautas travestem-se de “doutores” de diversos assuntos relacionados à medicina, pois o médico virtual responde as mais variadas perguntas, inclusive com sugestões de tratamento. Sendo assim, faz-se necessário de intervenção governamental nessa prática, uma vez que a automedicação é um problema que, muitas vezes, mascara alguma patologia que, não tratada adequadamente, evolui para algo mais grave.
Ademais, a Constituição Cidadã garante a todos o acesso à saúde, todavia essa premissa não é efetivada no Brasil, uma vez que o caos impera no sistema de saúde brasileiro. Dessa forma, segundo Aristóteles, no livro “ Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir o bem-estar da população. Logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que é insuficiente a quantidade de Unidades Básica de Saúde nos municípios brasileiros, o que ocasiona a postergação de tratamentos, uma vez que os pacientes, em vez de se consultarem com médicos reais, procuram, pela facilidade, “médicos” virtuais na internet. Essa conduta gera problemas posteriores, como a automedicação, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Portanto, para mitigar o problema elencado, faz-se necessário que o Governo – órgão máximo do executivo – elabore por meio de leis, artifícios que coíbam a automedicação no Brasil, como proibição de veiculação de práticas de automedicação na TV e Internet, para que a sociedade beneficiada. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Saúde – órgão máximo da saúde brasileira - fomentar, por meio de recursos federativos, a abertura de novas Unidades Básicas de Saúde nos municípios, para que a população seja atendida com mais eficiência e sejam evitadas as consultas com o “médico” virtual na internet. Como efeito social, a automedicação no Brasil não será mais uma realidade, destruindo, assim o “Dr. Google” moderno.