Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 08/05/2020
Na série norte-americana “Dr. House”, retrata-se um talentoso médico, House, como o protagonista, quem, para tolher dores em sua perna - em razão de um infarto em tal membro -, remedia-se indiscrimi-nadamente. Conquanto controverso: um profissional da saúde incitando a automedicação; essa prática, fora da ficção, reflete a realidade de inúmeros cidadãos atualmente, a qual é prejudicial no espectro glo-bal e dialoga, intrinsecamente, com mazelas sociais. Nesse contexto, aponta-se os antolhos individuais como a principal causa dessa problemática, os quais denotam um entrave aos sistemas de saúde.
De início, afirma-se que esses antolhos estão atrelados a uma idiossincrasia comum na contemporane-idade. Para depreender tal, vale evocar o “Efeito Dunning-Kruger”. Nessa famosa noção, esses pensa-dores preconizaram uma tortuosa tendência social: quanto menos realmente se sabe sobre um tópico, tanto mais se manifestam falsas afirmações acerca de tal. Em suma, sob essa perspectiva, os indiví-duos geralmente, por saberem pouco sobre o uso adequado das medicações, mesmo sem respaldo médico, acreditam estarem aptos a se remediarem perante quaisquer enfermidades. Dessarte, potenci-almente as chances de atitudes errôneas estarem sendo tomadas são exorbitantes, de modo a sugerir uma população, decerto, ignorante e que beira a mais doenças.
Por conseguinte, enquanto esse panorama perdura, observa-se, cada vez mais, centros médicos in-chados. Nesse âmbito, como, ao se medicarem sem amparo profissional, as pessoas estimulam ora no-vas enfermidades, ora casos ainda mais graves das pré-existentes, é notório que as unidades de saúde carecerão de infraestrutura suficiente para atender a todos. Evidência disso é o documentário brasileiro “Sob Pressão”, no qual se põe em voga as intempéries enfrentadas pelos médicos no cotidiano profis-sional, ressaltando, sobretudo, a atual falta de mobilidade hospitalar. Embora retratando o Brasil, esse panorama, infelizmente, estender-se-á aos demais países, o que seria extremamente nefasto e, quiçá, confrontaria a densidade demográfica mundial.
Portanto, visto a intempestividade da problemática, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la, objetivando coibir a automedicação e garantir o funcionalismo dos sistemas de saúde. Para tanto, compete à Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto arcabouço regulador máximo acerca da saúde sob as nações, o dever de, por meio de uma conferência de primordial instância, promulgar projetos e campanhas que promovam, aos cidadãos, as mazelas inerentes à remediação por conta própria, a fim de reduzir o ônus sob os centros de saúde como um todo e de eliminar essa prática das diretrizes sociais do século XXI. Dessa forma, aludir-se-ia esse traço de House a um passado dissonante e embaraçoso.