Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 09/05/2020
Funcionando conforme a primeira lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele mudando de percurso, a cultura da automedicação é um problema que persiste na sociedade brasileira há algum tempo. Com isso ao invés de funcionar como uma força suficientemente capaz de mudar o percurso deste problema, da permanecia para extinção, a combinação de fatores como a falta de informação com a falta de aceso a saúde acabam por contribuírem com a situação atual.
Mormente, ao analisar a automedicação por um prisma da falta de informação, nota-se forte influência desse fator na problemática. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo senso comum. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a automedicação sem prescrição médica. Essa liquidez acaba contribuindo para a situação atual de persistência. da questão da cultura da automedicação.
Ademais, segundo o G1 a automedicação tornou-se uma ferramenta para lidar com a falta de acesso à saúde pública. As pessoas ao não conseguirem agendar consultas e exames com facilidade, ou, ainda, ao não serem assistidas adequadamente nas instituições de pronto atendimento à saúde, muitas pessoas passam a recorrer à automedicação como forma de lidar com seus sintomas. Essa relação torna-se grave, pois coloca em risco a vida de milhões de brasileiros, este cenário contraria o direito de acesso à saúde que é garantido pela Constituição Federal de 1988. Desse modo, torna-se realmente inviável a mudança de percurso da cultura da automedicação, da persistência para extinção.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham combater a cultura da automedicação na sociedade brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Saúde junto com o Conselho Federal de Farmácia alertar a população a respeito das consequências e riscos à saúde que o consumo sem prescrição médica pode ocasionar no corpo humano. Essa ação deve ser feita por meio de campanhas a serem veiculadas nas mídias e em lugares de ampla circulação que mostrem de forma clara as principais lesões provocadas por esse consumo irregular e os principais fármacos responsáveis por tais efeitos no corpo humano, visando conscientizar a população. Somente assim, a falta de informação com a falta de aceso a saúde funcionarão como a força descrita por Newton e mudarão o percurso da cultura da automedicação na sociedade brasileira, da persistência para extinção.