Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/05/2020

No documentário “Take your pills”, é retratado a narrativa dos jovens estadunidenses que usam remédios sem prescrição médica no intuito de aumentar sua performance escolar. Em analogia, a realidade apresentada pela ficção pode ser relacionada com a sociedade brasileira, na qual, não apenas jovens abusam de medicamentos não receitados. Desse modo, com a crescente concorrência e altos padrões exigidos pela sociedade, há uma grande procura pelo “milagre” oferecidos em cápsulas, o que acarreta em números altos de vícios e severas consequências para a saúde futura dos usuários.

Em primeiro plano, destaca-se as altas exigências de uma melhor performance pessoal em sociedade. Nesse ínterim, no livro “Sociedade do Espetáculo” do filósofo e sociólogo Guy Débora, é explicitado sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma constante busca pela perfeição. Sob esse viés, a teoria se comprova quando comparada a submissão das pessoas a ingestão de drogas sem orientação médica, buscando o melhor desempenho, com objetivo de sempre se destacar entre no meio em que está.

Por conseguinte, presencia-se um forte ciclo vicioso como impulsionador do impasse. A esse respeito, segundo pesquisas feitas pela OMS, a automedicação é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente. Dessa forma, com intuito de destaque intelectual, o indivíduo fecha os olhos para os efeitos futuros do uso inapropriado de medicamentos, estando inerte a uma “bolha” sociocultural de exigências.

Portanto, para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais e nos hospitais, as quais elucidem a importância da orientação médica no uso de medicamentos, com objetivo de promover a criticidade nós indivíduos a respeito da automedicação. Garantindo assim, a redução dos vícios e da constante busca pela auto performance de maneira errada.