Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/05/2020
No documentário “Take your pills”, da empresa norte-americana Netflix, jovens nos Estados Unidos abusam de medicações, por intermédio da autoprescrição, para aumentar a performance escolar. Infelizmente, no Brasil, essa realidade não é diferente, haja vista que o uso desenfreado de medicamentos têm sido cada vez mais comum à população brasileira. Nesse sentido, é fato que, gradativamente, a fuga ilusória da realidade que as drogas permitem e o desenvolvimento de microrganismos resistentes à todos os remédios corroboram para que essa problemática torne-se um assunto atual e preocupante.
Convém ressaltar, a princípio, que a cultura do imediatismo favorece o uso exacerbado de medicações a fim de permitir ao usuário uma melhora momentânea à dor, estresse ou desconforto, de maneira prática, porém prejudicial. Analogamente, o livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, retrata diversos cidadãos que, para canalizarem suas efervescências, decepções, dores e angústias, consomem, ilimitadamente, o comprimido “soma”, ajudando-os a fugirem realidade em que estão submetidos. Paralelamente, salienta-se a criação de uma dependência acerca do uso de remédios com fins paliativos que, posteriormente, podem se tornar nocivos à saúde e ao bem estar do indivíduo.
Por conseguinte, evidencia-se o desenvolvimento de diversos microrganismos resistentes à quaisquer tipos de medicamentos disponíveis - fato que preocupa a comunidade científica, visto que prejudica gravemente os sistemas de saúde. À vista disso, a agência da Organização Mundial da Saúde (OMS) já manifestou a necessidade de evitar a automedicação ao afirmar que o desenvolvimento de agentes patológicos resistentes significam o retrocesso da ciência em larga escala. Dessa forma, urge a intervenção das autoridades competentes para que esse revés possa, finalmente, ser atenuado.
Logo, segundo Heráclito de Éfeso, é impossível progredir se mudança. Por isso, o Ministério da saúde deve, juntamente com iniciativas midiáticas, criar campanhas de conscientização dos brasileiros em relação à automedicação, por meio de propagandas e programas que contenham a presença de médicos especialistas em saúde pública, de modo a sanar dúvidas dos usuários e enfatizar que ingerir remédios sem a orientação médica é um ato perigoso, tanto para a integridade individual de cada um, quanto para o desenvolvimento da sociedade. A finalidade dessa ação é, portanto, democratizar o conhecimento acerca do problema para diminuir a incidência dele, pois, somente assim, poder-se-á fazer com que a realidade descrita no documentário “take your pills”, um dia, deixe de existir.