Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/05/2020
O documentário americano “Take Your Pills”, lançado em 2018, evidencia o uso de medicamentos sem receitas médicas para a realização de multitarefas, em que a própria saúde é deixada de lado para melhor desempenho nos afazeres cotidianos, além de poupar tempo com a ida ao médico. Contudo, o aumento dos impactos negativos dessa prática esta em pauta por dois principais motivos, os riscos que isso traz a saúde e a resistência de algumas bactérias a esses medicamentos. É importante discutir sobre os problemas da automedicação.
A princípio, vale-se ressaltar sobre os problemas que à automedicação traz a saúde, o documentário supracitado trata do uso do Adderall, medicamento usado no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDH), sem prescrições médicas, o que ao longo prazo gera ao usuário a necessidade de intensificar o consumo, situação que ao fugir do controle pode ocasionar uma overdose. Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2019, 80% dos brasileiros se automedica, 57% alteram a dose do medicamento mesmo tendo prescrição médica, esse hábito muitas vezes visto como uma solução imediata para alguns sintomas, de forma incorreta pode acarretar o agravamento da doença podendo chegar até ao óbito.
Posteriormente, deve-se discutir sobre a resistência de algumas bactérias devido ao uso excessivo de antibióticos. Com a falta de fiscalizações e a facilidade de acesso aos medicamentos ao menor sinal de infecções ou gripe, muitas pessoas recorrem a qualquer tipo de remédio, o que além de ter riscos graves como reações alérgicas ainda contribuem para a criação de superbactérias. Em 1928, foi criada a Penicilina, primeiro antibiótico amplamente utilizado no combate a doenças infectuosas, entretanto, apenas do êxito inicial o uso imoderado desse remédio acabou causando efeitos contrários, prova disso é que em 2017, a OMS (Organização Mundial da Saúde) encontrou doze agentes patogênicos resistentes ao antibiótico, o que torna mais preocupante o aparecimento de novas doenças com vírus mais resistentes.
Portanto, fica evidente que a automedicação é uma questão de saúde pública e deve ser resolvida. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde juntamente com a mídia promover campanhas contra a automedicação, deve haver também debates visando à educação farmacêutica das pessoas tanto nas escolas quanto em locais públicos como hospitais e postos de saúde, além de aumentarem as fiscalizações a fim de erradicar a compra de fármacos sem a apresentação de uma receita médica, desse modo os casos de complicações médicas devido à ingestão de medicamentos irá diminuir contribuindo também para um melhor funcionamento de hospitais.