Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/05/2020
No ano de 2020, durante a pandemia do vírus Covid-19, diversas pessoas começaram a usar o medicamento hidroxicloroquina, apesar da ciência provar não surgir efeito no combate a doença, para tratar a enfermidade, de modo que uma pessoa no Brasil chegou a morrer pela automedicação. Nesse sentindo, na sociedade contemporânea brasileira, é exponencial o número de pessoas se automedicando, de maneira que coloca a própria vida em risco. Com efeito, esse cenário é fruto tanto de uma falha educacional quanto de uma péssima estrutura do sistema público de saúde.
Em primeiro plano, é fundamental destacar que a educação brasileira não ensina sobre os riscos da automedicação e a importância de buscar uma opinião médica. Dessa maneira, segundo o educador Rubem Alves há dois tipos de escola: a gaiola, age como resistor físico, com teor conteudista; e a asa, age como impulsionador químico, uma escola que preza formar cidadãos preparados para a vida. Comprova-se, assim que a maioria das escolas brasileiras serem do tipo ‘‘gaiola’’, ao invés do ‘‘asa’’, cria uma sociedade alienada que não percebe os riscos da automedicação.
Além disso, é válido destacar o sucateamento da infraestrutura do sistema de saúde público, de modo que é cada vez mais difícil receber atendimento médico, assim, a população recorre a automedicação. Dessa maneira, de acordo com uma pesquisa do Datafolha, 20% dos entrevistados esperavam a mais de dois meses para marcar uma consulta em hospitais públicos. Percebe-se, assim, que a falta de investimentos governamentais na saúde corrobora para o crescimento da automedicação no cenário brasileiro.
Portanto, percebe-se que o sucateamento da saúde pública aliado a uma falha educacional corroboram para o número exponencial de pessoas se automedicando. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal, como instância máxima do poder executivo, aliado ao Ministério da Saúde, aumente o investimento na saúde pública, por meio do repasse a secretárias e municípios, para assim, frear o crescente número de pessoas que se automedicam além de diminuir o número de vítimas por tal ação.