Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 24/05/2020
No ano de 2020, durante a pandemia do vírus Covid-19, diversas pessoas começaram a usar o medicamento hidroxicloroquina, apesar da ciência provar não surgir efeito no combate à doença, para tratar a enfermidade, de modo que uma pessoa no Brasil chegou a morrer pela automedicação. Nesse sentindo, na sociedade contemporânea brasileira, é exponencial o número de pessoas se automedicando, de maneira que coloca a própria vida em risco. Com efeito, esse cenário é fruto tanto de uma falha educacional quanto de uma péssima estrutura do sistema público de saúde.
Em primeiro plano, é fundamental destacar que a educação brasileira não ensina sobre os riscos da automedicação e a importância de buscar uma opinião médica. Dessa maneira, segundo o educador Rubem Alves, há dois tipos de escola: a gaiola age como resistor físico, com teor conteudista; e a asa age como impulsionador químico, uma escola que preza por formar cidadão preparados para a vida. Comprova-se, assim, que a maioria das escolas brasileiras serem do tipo ‘‘gaiola’’, cria uma sociedade alienada que não percebe os riscos da automedicação.
Além disso, é valido salientar que o sucateamento da infraestrutura do sistema de saúde pública, devido a falta de repasse de verba por parte do Governo Federal, de modo que é cada vez mais difícil receber atendimento médico, assim, a população recorre à automedicação. Dessa maneira, de acordo com uma pesquisa do Datafolha, 20% dos entrevistados esperavam mais de dois meses para marcar uma consulta médica em hospitais públicos. Percebe-se, assim, que a falta de investimento público corrobora para o sucateamento da rede de saúde pública, de forma que estimula a automedicação.
Portanto, é importante ressaltar que a existência de uma falha educacional aliado ao sucateamento da rede de saúde pública impulsiona o aumento da automedicação. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal, como instância máxima do poder executivo, aumente o investimento na saúde públicas, por meio de repasse aos municípios, além de criar uma matéria na grade escolar, de modo que por meio da Base Nacional Comum Curricular, desenvolva os conhecimentos necessários para a vida do individuo, para assim, frear o crescente número de pessoas se automedicando, e evitar novas vítimas.