Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 20/05/2020

Jayme Lanmann, médico nefrologista disse em seu livro Medicina Não é Saúde, que a saúde é muito importante para ser deixada unicamente ao critério de médicos. Porém, a automedicação em questão no século XXI, trás riscos à saúde das pessoas, em especial as mais pobres, que contam com um Sistema de Saúde precário, e com a falta de orientação correta sobre o uso consciente desses medicamentos. Então, a sociedade carece de políticas para diminuir esse empecilho.

Em primeira análise, vale salientar que a automedicação  se deve às falhas no Sistema Único de Saúde, que segundo uma pesquisa do Data Folha, 19% de seus usuários aguardam mais de dois meses por uma consulta médica. Com uma longa fila de espera, muitos pacientes - em sua maioria os mais pobres - se vêem obrigados a recorrer à medicações mais acessíveis para aliviar os seus sintomas mais leves, contudo, sem orientação médica, muitos têm reações adversas que podem levar a morte, ou no caso dos antibióticos, causar resistência de bactérias, que segundo o médico Drauzio Varella, pode tornar doenças antigamente banais a serem incuráveis no futuro.

Ademais, como mostra uma pesquisa feita pela Agência de Proteção Sanitária da Grã-Bretanha, 53% das pessoas acreditam que antibióticos tem eficácia contra gripes e resfriados. Isso deixa explícito que população em geral não possui uma conscientização sobre o uso de medicamentos, assim como também não há um atendimento digno no Sistema de Saúde, fazendo com que a automedicação seja a única opção de tratamento.

Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar essa problemática. Cabe ao Ministério da Saúde - órgão controlador do SUS - por meio de palestras e comerciais, nos meios de comunicação, conscientizar a população sobre os riscos da automedicação, fazendo com que haja um conhecimento mais amplo sobre esses medicamentos e, por fim, o seu consumo correto. Afinal, como disse o médico e físico alemão Parecelso, “a diferença entre o remédio e o veneno, está na dose”.