Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/05/2020

A música “Perfeição”, da banda Legião Urbana, satiriza as más ações realizadas pela sociedade brasileira. De forma análoga, pode-se criticar a “cultura da automedicação”, visto que, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 72% da população faz uso de medicamentos por conta própria, o que pode causar sérias consequências. Esse cenário ocorre não só em razão do desenvolvimento das tecnologias, como também devido à facilidade de acesso aos fármacos. Dessarte, urge a adoção de medidas para reverter esse panorama.

Em primeira análise, de acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso às informações é um direito de todos os cidadãos. Entretanto, percebe-se que, na atual realidade brasileira, tal garantia não é segura, uma vez que, juntamente ao avanço do mundo cibernético, surgiu o “Dr. Google”. O site de busca “Google” ficou conhecido dessa forma porque muitos indivíduos utilizam essa ferramenta para pesquisar doenças conforme os sintomas apresentados, além de remédios a serem consumidos para mudar a situação, sem a opinião de um médico. Desse modo, é inadmissível a persistência desse cenário em pleno século XXI, o qual coloca em risco a saúde da população.

Outrossim, salienta-se a compra de medicamentos sem receita como mais um fatos da problemática. Consoante à Anvisa, é permitido a propaganda e venda de alguns remédios isentos de receituário. Dessa maneira, a população utiliza, muitas vezes, de forma errônea tais fármacos, dado que, segundo o Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é a principal causadora da intoxicação. Além disso, essa prática pode gerar alergias, contribuir com a proliferação de superbactérias e, em casos mais graves, causar a morte. Assim, é inaceitável a perpetuação dessa situação vivenciada pela sociedade brasileira, sendo necessárias medidas para mudar a questão.

Diante do exposto, fica claro, portanto, a importância do debate acerca das causas e consequências da automedicação. Dessa forma, o Ministério da Saúde deve orientar os cidadãos sobre os riscos de se automedicarem, por meio de anúncios nas mídias, que atraiam a atenção dos indivíduos e estimulem-os a evitarem tal ação. Ademais, é necessário que as empresas midiáticas fiscalizem os sites que oferecem informações médicas. O intuito de tais medidas é minimizar a prática do consumo de fármacos por conta própria, garantindo o direito à saúde elencado na Magna Carta. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade diferente da criticada na canção de Legião Urbana.