Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 25/05/2020
Na Revolta da Vacina, acontecimento histórico ocorrido durante a Primeira República, a sociedade carioca almejava autonomia quanto às escolhas por formas de promoção a saúde dispensando recomendações médicas. Infelizmente, a narrativa não destoa da sociedade hodierna a qual evidencia-se a crescente e preocupante busca por liberdade no uso de medicamentos sem prescrição. Ademais, tais fatos são condicionados pela busca dos efeitos imediatos do uso de tais drogas e acarretam problemáticas como a dependência química.
Neste contexto, torna-se notória a teoria filosófica da Modernidade Líquida, produzida pelo pensador polonês Zygmunt Bauman, a qual afirmava que a sociedade contemporânea especifica-se com imediatista, buscando sempre ações e efeitos rápidos. Tal como no pensamento de Bauman, a automedicação possui suas causas interligadas a busca por efeitos instantâneos proporcionados pelos remédios,e que condicionam a diminuição de impasses cotidianos como o estresse, insônia, e falta de produtividade. Entretanto, a procura por agilidade acaba por dispensar a prescrição médica, de suma importância, e ocasionam o preocupante uso indevido e indiscriminado das drogas supracitas sem supervisão profissional.
Outrossim, evidencia-se como potencial problemática da automedicação suas eventuais consequências. Neste viés, nota-se a série global “Sob Pressão”, na qual após utilizar medicamentos sem a devida recomendação profissional, o protagonista é levado a dependência química que condiciona complicações cardíacas e diminuição da qualidade do sono. Desta forma, tornam-se evidentes o efeitos maléficos do uso de tais substâncias sem autorização médica, tendo em vista que por se tratarem de drogas são potencialmente capazes de gerar vício, e efeitos colaterais imprescritíveis e extremamente adversos ao organismo.
Destarte, urge deliberar a fim de mitigar a automedicação e seus efeitos adversos. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde a criação de um projeto de lei a ser entregue ao Poder Legislativo, que objetive dificultar o uso irrestrito de remédios, tornando obrigatório a apresentação de receitas que atestem recomendação médica à aquisição dos mesmos. Desta forma, tais substâncias serão utilizadas de forma correta, e tão somente à vista de efeitos explicitamente necessários, evitando consequências negativas assim com as vistas na série global.