Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/05/2020

Na série House, seriado da rede Fox, é abordado as consequências em torno do uso indiscriminado de remédios por automedicação. Nesse contexto, apesar de se tratar de uma ficção, a telessérie parece refletir a realidade que permeia o contemporâneo, no qual o uso inadequado de remédios sem prescrição promove o agravamento dos casos clínicos. Entretanto, embora muito julgada, o ato de se medicar proporciona melhorias em relação ao sistema de saúde, criando-se um debate sobre os benefícios e malefícios de tal prática na contemporaneidade.

É relevante abordar, primeiramente, que, segundo os dados divulgados pela CRM- Conselho Regional de Medicina- mais de 70% dos brasileiros estão insatisfeitos com o congestionamento nas filas do SUS. Nesse sentindo, casos considerados simples como dores de cabeça, cólicas e resfriados promovem o agravamento da demora nos hospitais públicos e particulares, uma vez que muitos recorrem aos centros hospitalares para tratarem dessas enfermidades. Portanto, embora a automedicação seja altamente criticada, se tal prática fosse realizada de forma consciente e responsável, ajudaria de certa forma os sistemas de saúde como um todo, levando a diminuição da alta lotação nas unidades do país e o aumento da satisfação das pessoas em torno dessas instituições.

Paralelo a isso, é notório a grande quantidade de pessoas que recorrem ao “Dr. Google” para compreenderem o seu quadro e se autoprescreverem, evitando assim às longas filas de espera nos hospitais. Desse modo, o uso inadequado de tal método promove o agravamento do quadro clínico e muitas vezes cria-se uma “máscara” sobre as doenças graves, dificultando a identificação das mesmas e o possível estabelecimento de um tratamento para a redução dessa enfermidade. Tal fato, torna-se notório ao observar os dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia, que afirmam que nos últimos 5 anos mais de 60 mil internações foram promovidas devido o uso de medicamentos de forma mal adequada.

Em virtude dos fatos mencionados, conclui-se que a automedicação embora promova benefícios, se for realizada de maneira irresponsável pode trazer inúmeras consequências aos indivíduos. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde- setor governamental responsável pela administração e manutenção da saúde- criar campanhas informativas sobre os riscos do ato de se auto medicar e em quais casos com o devido cuidado e responsabilidade pode efetuá-lo, sendo tais propagandas amplamente divulgadas em meios de alta sociabilização. Somente sob tal perspectiva, será possível reverter tais problemáticas, fazendo com que os casos da série House se torne apenas uma ficção e não a representação da realidade no futuro.