Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/05/2020
A série Outlander mostra o cotidiano de Claire - uma jovem que vive em meados do século XVIII na Escócia – que utiliza seus conhecimentos médicos para tratar doenças e feridas por meio de plantas medicinais. Dessa forma, a ficção expõe o profissionalismo de Claire, bem como o compromisso e responsabilidade dos enfermos em contatá-la antes de realizarem tratamentos. Entretanto, a realidade brasileira diverge da apresentada em Outlander, na qual inúmeros cidadãos fazem uso da automedicação sem acompanhamento médico para solucionar problemas de saúde. Indubitavelmente, essa prática corrobora aspectos prejudiciais como vícios e escassez de medicamentos indispensáveis à certa parcela populacional.
A priori, a automedicação é uma prática extremamente nociva entre brasileiros que, inúmeras vezes, acarreta vícios e dependência química. Outrossim, o livro Perdida – escrito pela brasileira Carina Rissi - retrata a protagonista Sofia utilizando ópio - uma substância química usada como medicamento analgésico - para realizar suturas e amenizar dores no século XIX. No entanto, é indiscutível os vícios e dependências causados por tal droga, que acarretou inúmeras tragédias ao longo dos anos, principalmente na China, por conta do uso desregrado, sem prescrição médica e equivocado do ópio. Destarte, é certo que, a automedicação aumenta o risco de formação de uma sociedade viciada.
Ademais, a compra de medicamentos por indivíduos que não necessitam da droga pode resultar em escassez do remédio no mercado. Nesse cenário, ultimamente, a população brasileira tem sofrido com o descaso do governo que, ao divulgar que medicamentos com a substância Cloroquina seriam eficazes contra o coronavírus, fez com que a droga se esgotasse em diversos estados brasileiros. Contudo, a OMS ratificou que tal informação não possui comprovação. Infelizmente, a compra e automedicação desenfreada de Cloroquina expuseram pessoas que, de fato, necessitam dos medicamentos em risco, visto que, ele encontrasse em falta. Dessarte, é fundamental que haja a reflexão acerca da automedicação exacerbada no Brasil e suas consequências para a sociedade.
Sendo assim, faz-se necessária a adoção de medidas a fim de mitigar as problemáticas que permeiam a questão da ampla automedicação no século XXI. Por certo, urge que o Ministério da Saúde realize um projeto de lei que intensifique a fiscalização da compra de remédios que são fundamentais para garantir a saúde de parte da população, mas, estão sendo utilizados por aqueles que não apresentam os requisitos. Finalmente, por meio da lei entregue à Câmara dos Deputados, que revela a prática nociva à saúde, bem como à sociedade, espera-se, que a exacerbada automedicação deixe de retratar uma realidade brasileira.