Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 01/06/2020

O  documentário " Take yours pills “, disponível na Netflix, tematiza as diversas formas de doping na sociedade atual. Diante disso, pode-se observar que o uso de medicamentos para sanar sintomas ou para melhorar desempenho está ligado à realidade do Brasil. Embora em alguns casos o uso da automedicação seja indicada pela Organização  Mundial da  Saúde(OMS), na maioria das vezes ela representa riscos aos seus praticantes. Nesse sentindo, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que entre os fatores, que conduzem a utilização de remédios, destaca-se a falta de acesso ao atendimento de qualidade. De acordo com o artigo 196 da Constituição  Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Entretanto, observa-se que há uma incompetência estatal  para garantir a efetivação desse fundamento. Além disso, esse aspecto é intensificado pelo imediatismo, que caracteriza a sociedade atual, a qual está inserida no sistema de produção capitalista, em que o trabalhador se sente pressionado à apresentar um bom desempenho sem tempo para recuperação da saúde. Isso corresponde ao cenário descrito por Chul Han, filósofo contemporâneo, em seu livro " sociedade do cansaço " em que ele afirma que se vive, hoje, a sociedade de alta produção.

Em segunda análise, é imperativo  ressaltar o consequente abuso de consumo de substâncias farmacêuticas sem a prescrição médica adequada como promotor do problema. Dessa forma, em alguns casos, pode levar à intoxicação, a exemplo do paracetamol, substância hepatotóxica, ou seja toxica para o fígado. Outrossim, o uso exacerbado de antibióticos pode ocasionar na seleção de bactérias resistentes, o que acarreta em infecções mais graves de serem solucionadas.

É evidente, portanto, que subterfúgios devem ser  criados a fim de  garantir a solidificação de políticas visando mitigar o problema da automedicação no século XXI. Destarte, o Ministério da Educação, juntamente com o Conselho Nacional de Medicina e Farmácia, deve promover campanhas informativas e de alertas, por meio da mídia radiofônica e televisiva, com o intuito de que a população tenha conhecimento sobre a Lei de Fracionamento de Medicamentos, em que o consumidor leva apenas a quantidade de remédio necessário e não mais a caixa, e passem a exigir esse direito.Além do mais, faz-se necessário que formadores de opiniões tragam relatos, por meio de palestras com profissionais da área , que a partir de uma linguagem compreensiva, possa mostrar os perigos  de tomar medicamentos sem autorização do médico.