Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/05/2020

Disponível no “streaming” Netflix, o documentário “Take your pills” evidenciada a automedicação como uma prática maléfica na sociedade, a qual se apresenta, cada vez mais, recorrente no contexto do século XXI. Sob esse viés, o uso inadequado dos fármacos resulta em efeitos adversos decorrentes, sobretudo, das necessidades do homem contemporâneo e do acesso à informação via Internet. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de reduzir esse quadro irresponsável.        Inicialmente, é válido pontuar que as necessidades do homem moderno corroboram o uso indevido de remédios. Nessa perspectiva, consoante o filósofo sul coreano Byung-Chul Han, o indivíduo é condicionado, exaustivamente, a demonstrar exímios resultados e produtividade nas atividades cotidianas. Sob essa conjectura, essa tendência favorece a administração de medicamentos que minimizem o sono e/ou o cansaço com doses cada vez mais altas, quando o corpo passa a tolerar as pequenas posologias iniciais. Com isso, intoxicação, perca de peso e dependência psicológica são desdobramentos passíveis de ocorrer, o que reforça o caráter prejudicial dessa atitude.

Ademais, ressalta-se que o acesso à informação sobre doenças, principalmente por meio de pesquisas online no “Google”, potencializa a automedicação. Nessa perspectiva, tal situação, segundo o Conselho Federal de Farmácia, é uma realidade para cerca de 80% dos brasileiros, tendo em vista, muitas vezes, o deficitário contato de determinadas comunidades com o já precário sistema de saúde pública. Por consequência, na falta de diagnósticos seguros, o uso de fármacos incorretos para o tratamento das enfermidades é comum. Isso desencadeia resistência biológica tanto no ser humano quanto nos micro-organismos patogênicos, com a formação de superbactérias, por exemplo.

Destarte, é impreterível que o Ministério da Saúde (MS) elabore projetos sobre o uso inadvertido de remédios, por meio de publicações nas mídias de amplo alcance, as quais sejam direcionadas aos indivíduos que utilizam fármacos para controlar o desempenho nas atividades diárias e abordem os malefícios dessa prática, a fim de atenuar os casos de automedicação na sociedade. Concomitantemente, é imprescindível que as farmácias locais, associadas às secretarias de saúde municipais, informem a população por intermédio de debates sobre os efeitos da medicação indevida e os problemas do diagnóstico via Internet, com o fito de amenizar essa adversa realidade entre os indivíduos. Assim, a população possuirá o conhecimento sobre os problemas do consumo, indiscriminado, de substâncias que podem causar malefícios ao organismo e não enfrentarão as consequências ocorridas no documentário supracitado.