Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 29/05/2020

Segundo Paracelso, tudo é venenoso na natureza, sendo somente a dose prescrita que difere o que é remédio e o que é veneno. Assim, pode-se perceber que até mesmo o que deveria fazer as pessoas melhorarem das doenças e dores, se tomados constantemente ou a mais, causam reações negativas. Em resumo, deve-se ter cuidado com os remédios e sua automedicação, que é a utilização de medicamentos sem prescrição, e logo, em doses erradas e que para Paracelso poderia ser um veneno. Dessa forma, torna-se necessário pensar nas causas da automedicação, sendo elas a falta de investimentos no Sistema Único de Saúde(SUS) e a trivialização de medicamentos.

Primeiramente, a falta de investimentos no SUS faz com que ocorra uma diminuição na qualidade e na quantidade de serviços ofertados, aumentando o número de pessoas que se automediquem. Isso é observado na reportagem do G1, em que o Conselho Federal de Medicina declara que os gastos com saúde pública equivalem a 2,94% do PIB, quando deveriam valer 10% e Carlos Vital, presidente do Conselho, diz que isso reflete nos serviços prestados à população. Assim, pode-se perceber que devido ao pouco capital haverá menor número de recursos e de consultas, o que significa que menos pessoas saberão o medicamento indicado para o que elas têm e procurarão outras formas de resolverem o seu problema, como a automedicação.

Em segundo plano, os medicamentos são considerados ,por grande parte da sociedade, culturalmente como algo banal, visto que, seu uso sem prescrição é difundido pela sociedade e não são vistos como drogas, fazendo com que não exista receio em seu uso. Isso é comprovado por uma reportagem do G1, no qual somente 30% da população não se automedica e segundo Bourdieu, na sua Teoria do Habitus, padrões são naturalizados e reproduzidos pela sociedade. Pode-se observar também o conceito de banalização do mal de Hannah Arendt, em que o mal perde o sentido negativo e torna-se hábito. Portanto, nota-se que o uso de remédios sem prescrição é algo que foi adquirido e difundido socialmente e o fato de ser uma droga foi desconsiderado.

Logo, observa-se que a falta de investimos e a banalização do uso de medicamentos resultam em automedicação. Nesse sentido, o Governo deve investir mais no SUS, a fim de melhorar a qualidade do serviço. Além disso, o Ministério da Saúde, órgão que cuida da saúde pública, deve fazer campanhas, visando a propagação das informações de que não se deve automedicar e que remédios podem ser perigosos, pois são drogas, por meio das redes sociais, a fim de que parem de considerar a medicação como algo banal. Desse modo, espera-se  que não seja esquecido o que Paracelso escreveu e que as pessoas entendam o perigo que é se automedicar.