Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/06/2020
A Constituição Federal de 1988, documento com maior poder sobre o sistema jurídico do Brasil, assegura a todos a saúde e o bem-estar. Entretanto, o aumento dos casos de consumo de remédios sem orientação de médicos ou farmacêuticos demonstra que as pessoas ainda não tiveram acesso à esse direito. Diante das informações, é fundamental analisar o papel de descaso do estado e suas consequências sobre a prática da automedicação.
Em primeiro plano, é importante destacar que a ineficiência do sistema de saúde agrava o problema. Sobre esse tema, o Sociólogo Zygmunt Bauman fala em “modernidade líquida”, que algumas instituições, dentre elas o estado, perderam sua função social, mas conservaram sua forma a qualquer custo e se configuram “instituições zumbis”. Essa metáfora tem o efeito de enfatizar que alguns órgãos estatais, como o SUS, não são capazes de auxiliar a população na solução de problemas e dúvidas. Como resultado, estes acabam recorrendo sem orientação à medicamentos nos quais ocasionam danos ao organismo que em certas situações podem ser fatais .
Em segundo plano, no que se refere à questão da automedicação, são as consequências pelo uso inadequado de antibióticos. Segundo a teoria sintética da evolução de Darwin, esta prática é capaz de perpetuar a seleção natural de bactérias mais adaptadas, além de alterar seu material genético de forma que sua resistência no meio aumente, dificultando ainda mais o tratamento de doenças. Desse modo, enquanto se mantiver a cultura da automedicação, o Brasil terá que conviver com um dos mais graves problemas para a saúde dos indivíduos: as superbactérias.
Portanto, a cultura da automedicação deve ser interrompida, por isso medidas cabíveis devem ser tomadas. Para que isso ocorra, urge que o Ministério da Saúde, em parceira com os canais de mídia, faça com que transmitam horário nobre, propagandas nas quais abordem a cultura da automedicação de forma impactante, além de descrever suas principais consequências ao organismo.