Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 05/06/2020

Durante a Segunda Guerra Mundial, houve um avanço significativo na produção de novos medicamentos que possibilitaram uma revolução na medicina, devido a descoberta de novas drogas que foram usadas no tratamento de feridas e doenças venéreas. Entretanto, com o aumento da produção e distribuição desses fármacos, a prática da automedicação tornou-se cada vez mais comum no atual cenário brasileiro. Logo, cabe avaliar que a negligência estatal e a cultura dessa automedicação são fatores que dificultam a superação dessa problemática em questão no Brasil.

Em primeira instância, é importante ressaltar a relevância do Estado no que se refere à garantia da saúde de todos os cidadãos brasileiros. Segundo o sociólogo alemão Émile Durkheim, a normalidade e a coesão não são asseguradas quando instituições sociais não cumprem seus papéis. Analogamente, é evidente que o Estado é falho ao não oferecer, em sua totalidade, o fácil acesso aos serviços de saúde pública para a população brasileira, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. Assim, com a falta de disponibilidade desses serviços, a prática da automedicação é ainda mais recorrente no corpo social, a qual pode promover consequências como reações alérgicas, intoxicações e até a morte.

Em segundo plano, é válido destacar que a ingestão de medicamentos sem a consulta de um profissional é um fator presente desde o período colonial. De acordo com o conceito de “Habitus”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora as estruturas sociais impostas à sua realidade e após incorporada é naturalizada e reproduzida ao longo do tempo. Seguindo essa linha de raciocínio, é notório que a prática da automedicação é uma cultura enraizada desde a época do Brasil Colônia, em que havia a ingestão de chás e ervas sem a devida comprovação científica da eficácia. Consequentemente, com a utilização errônea de medicamentos, circunstâncias como o surgimento de superbactérias e a dependência química dos indivíduos tornam-se problemáticas frequentes na contemporaneidade.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de realizar mudanças para transformar a realidade hodierna. Dessa maneira, é fulcral que o Ministério da Saúde assegure o acesso aos serviços de saúde pública, por meio de investimentos e construções de hospitais. Isso deve ser feito com a compra de equipamentos hospitalares e com a disponibilização de exames e consultas para toda a população, a fim de cessar a prática da automedicação e dar prioridade aos avanços positivos da ciência, assim como os construídos primordialmente durante a Segunda Guerra Mundial.