Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 17/08/2020

Com a pandemia do novo coronavírus,tornou-se evidente um problema muito antigo,a automedicação. Muitas pessoas no mundo inteiro consumiram diversos medicamentos,sem comprovação científica de sua eficácia a fim de atenuar ou prevenir sintomas da doença.No entanto,quando a pauta é ingestão de medicamentos essa autonomia não é bem-vinda,uma vez que apresenta riscos à saúde individual e coletiva a longo prazo.Desse modo,pode-se afirmar que essa problemática tem origem no imediatismo presente na população e na ausência de políticas públicas que visem alertar e prevenir o risco do uso indiscriminado de remédios por conta própria.

Em primeiro lugar,deve-se destacar que na sociedade hodierna há uma necessidade do imediatismo ,o que acarreta na automedicação.De acordo com o sociólogo contemporâneo Zigmunt Bauman,em seu livro “Modernidade Líquida”,o homem está sujeito a olhar para si,logo,busca prazer instantâneo.Nesse âmbito,percebe-se que ao se automedicar, o indivíduo deseja cessar um sintoma momentâneo ou prevenir doenças futuras.Todavia a maioria dessas pessoas não conhecem os ricos futuros dessa prática,que incluem danos á saúde física,como os efeitos colaterais,e danos à saúde psicológica,como a hipocondria.Assim,por  essa necessidade irracional de ingerir medicamentos sem consultar um profissional em busca de um prazer imediato,a população se coloca em risco.

Outrossim,grande parte das pessoas sofrem com a desinformação,dessa forma consomem essas drogas por costume ou influência da mídia.Consoante ao filósofo grego Aristóteles,“a política tem como função preservar o afeto na sociedade”,entretanto,ela não cumpre esse papel ao não alertar a população sobre os riscos da automedicação.Nesse cenário,devido à um sistema público de saúde lento gera desânimo  em grande parte da sociedade,levando-a à consumir remédios por conta própria ao invés de consultar um médico.Dessa forma,esse problema somado à desinformação, acarreta nos riscos coletivo  da automedicação,como a criação de super-bactérias decorrentes do uso indiscriminado  de antibióticos,entre outros.

Depreende-se,portanto,que medidas devem ser tomadas.Primeiramente, o Ministério da saúde em parceria com a mídia deve promover campanhas de conscientização,por meio de palestras informativas nas escolas abertas à todo público e de anúncios publicitários nos meios midiáticos,alertando os riscos da automedicação,com o intuito de evitar que a população se automedique.Ademais,o Ministério da economia deve destinar verbas ao SUS para melhorar a qualidade e a velocidade dos atendimentos, por meio da construção de mais postos de saúde e contratação de profissionais,com o fito de incentivar as consultas e atenuar os riscos da automedicação.